As corridas eleitorais para o governo da Bahia e para a Presidência da República chegam à reta final cercadas de incerteza, sem que os institutos de pesquisa consigam apontar um vencedor claro nas urnas.
Cenário acirrado na disputa pelo governo baiano
No estado, a pesquisa mais recente da Quaest revelou o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil) com 42% das intenções de voto, seguido de perto pelo governador Jerônimo Rodrigues (PT), que registra 40%, ambos dentro da margem de erro de três pontos percentuais. Numa eventual simulação de segundo turno, o cenário permanece em aberto, com Neto pontuando 45% contra 43% de Jerônimo.
A consultoria AtlasIntel também apontou um panorama similar, mostrando empate técnico tanto na primeira quanto na segunda etapa do pleito estadual. É nesse cenário de indefinição que ganha força a análise sobre os impactos políticos da recente visita do presidente Lula a Salvador, realizada no final de setembro na região da Barra e Ondina.
O fator Lula e o voto cruzado na Bahia
O desembarque do presidente na capital baiana serviu como uma demonstração pública de apoio à reeleição de Jerônimo. A Bahia é historicamente um dos redutos mais fortes do petista, o que atrai grandes multidões. No entanto, o real poder de transferência desse capital político continua sendo a grande incógnita do pleito.
O eleitorado lulista na região divide-se entre aqueles que associam diretamente a imagem do presidente ao grupo político que governa o estado há quase duas décadas e o fenômeno conhecido como voto Lula-Neto. Trata-se de uma parcela significativa da população que vota em Lula para presidente, mas prefere ACM Neto para o governo estadual.
Em 2022, esse comportamento já havia se manifestado, provando que a migração automática de votos não pode ser dada como certa. Para conter essa fuga, Lula reforçou em solo baiano que quem apoia o seu projeto nacional deve votar no candidato petista ao governo.
Possibilidade de decisão em primeiro turno
A configuração dos números também abre margem para que a disputa na Bahia seja resolvida ainda no primeiro turno. Ao contrário do pleito anterior, quando o candidato João Roma (PL) obteve mais de 9% dos votos e consolidou uma terceira via de peso, os demais concorrentes aparecem com percentuais bastante modestos nos levantamentos atuais. Historicamente, o estado já registrou eleições decididas na primeira etapa, assim como embates acirrados levados ao segundo turno, dependendo da força de terceiras vias.
Disputa presidencial indefinida na reta final
No cenário nacional, a corrida pela Presidência da República apresenta um nível equivalente de incerteza. Dados da Quaest colocam Lula na liderança do primeiro turno com 39%, seguido por Flávio Bolsonaro, que pontua 34%. Na simulação de segundo turno, o quadro evoluiu para um empate técnico numérico, com ambos registrando 42%.
Fatores recentes de repercussão nacional — como a proibição das apostas esportivas (bets), debates religiosos e novas denúncias judiciais envolvendo o adversário — entram como variáveis imprevisíveis que podem impactar o comportamento do eleitor nos últimos dias de campanha.
A importância estratégica do Sudeste
A indefinição nacional reflete-se na divisão demográfica do eleitorado. Lula mantém vantagem expressiva entre famílias de baixa renda e beneficiários de programas sociais, enquanto seu principal oponente lidera entre o eleitorado evangélico e classes de maior poder aquisitivo. Regionalmente, o Nordeste segue como reduto majoritariamente favorável ao atual presidente.
Nesse tabuleiro, a região Sudeste assume papel decisivo. Concentrando cerca de 42% de todos os eleitores do país e apresentando um perfil muito mais equilibrado, o Sudeste registrou avanço recente de Lula no primeiro turno, com oscilação negativa de seu opositor. Por reunir a maior fatia do eleitorado nacional, pequenas variações de preferência nessa região têm o poder de redefinir o resultado final.
Por fim, o pleito de 2026 revive a memória de 2022, quando os levantamentos da última semana apontavam margens distintas do veredito das urnas. Naquela ocasião, a diferença entre os principais candidatos foi estreita tanto na primeira etapa quanto no segundo turno, reforçando que a decisão real só ocorre no momento em que o eleitor digita o voto.




















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