A culinarista e apresentadora Rita Lobo trouxe à tona uma reflexão contundente sobre a divisão do trabalho doméstico ao afirmar que saber cozinhar é, antes de qualquer coisa, um instrumento de sobrevivência e liberdade pessoal. A comunicadora contestou a narrativa tradicional que limita o preparo das refeições a um simples gesto de carinho, apontando o viés machista por trás dessa visão.
A romantização do trabalho doméstico
Ao desconstruir o clichê de que alimentar a família é uma prova de amor, Rita enfatizou que essa retórica frequentemente serve para perpetuar a sobrecarga histórica colocada sobre as mulheres. Quando o ato de cozinhar é tratado apenas sob a ótica do afeto, mascara-se uma responsabilidade diária essencial, transformando uma competência básica de qualquer adulto em uma obrigação feminina disfarçada de vocação.
Culinária como ferramenta de emancipação
Para a especialista, dominar as panelas representa um passo indispensável para a autonomia individual e a manutenção de uma vida saudável. Saber manusear ingredientes, planejar compras e colocar comida na mesa garante que o indivíduo não dependa de terceiros nem fique refém da indústria de alimentos ultraprocessados.
A discussão proposta amplia o olhar sobre a equidade de gênero dentro dos lares. Ao reivindicar que cozinhar é uma habilidade fundamental para todos, independentemente do gênero, reforça-se a necessidade urgente de distribuir o peso da rotina doméstica de maneira equilibrada e consciente entre todos os integrantes da casa.
















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