Datafolha: 37% reprovam o Congresso e 18% aprovam

37% avaliam o Congresso Nacional como ruim ou péssimo e 18% como ótimo ou bom, diz Datafolha

A poucos dias das eleições, 37% dos eleitores brasileiros avaliam o trabalho do Congresso Nacional como ruim ou péssimo. É o que aponta a pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (26), que também revela que 18% dos entrevistados classificam a atuação de deputados federais e senadores como ótima ou boa.

Radiografia da avaliação legislativa

O levantamento mostra ainda que 40% da população enxerga o desempenho parlamentar como regular, ao passo que 6% não souberam responder. Os participantes da pesquisa atribuíram notas em uma escala de 1 a 5, sendo a pontuação máxima para ótimo e a mínima para péssimo. Os índices atuais mantêm estabilidade em comparação com o levantamento realizado em maio, quando o patamar de reprovação era idêntico e a aprovação ficava em 15%.

A rejeição ao Legislativo varia conforme o perfil socioeconômico e demográfico. Entre os homens, a avaliação negativa chega a 43%, enquanto entre as mulheres o índice recua para 32%. A reprovação também é mais acentuada entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, atingindo 51%, em contraste com os 30% registrados na faixa de até dois salários mínimos.

Regionalmente, a percepção desfavorável foi registrada em todas as áreas do país: 41% no Sudeste, 38% no Centro-Oeste e Norte, 36% no Sul e 32% no Nordeste. Por outro lado, as avaliações positivas somam 21% no Nordeste, 17% no Centro-Oeste e Norte, 16% no Sudeste e 16% no Sul. Quando segmentada pelo voto presidencial declarado, 22% dos eleitores de Lula (PT) aprovam o Congresso, contra 15% dos simpatizantes de Flávio Bolsonaro (PL).

Contexto das eleições e cenário político

O cenário de insatisfação antecede a votação que definirá a bancada de 513 deputados federais e renovará dois terços do Senado Federal, com a escolha de 54 senadores. A corrida pelas cadeiras senatoriais tornou-se estratégica para grupos de direita e aliados do bolsonarismo, que pretendem assegurar maioria na Casa para viabilizar eventuais processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.

O impacto institucional recente também pesou na visão do eleitorado. Na semana anterior, o Datafolha indicou que a desconfiança em relação ao STF alcançou patamares inéditos, impulsionada por repercussões envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, pano de fundo que se soma a escândalos financeiros envolvendo parlamentares. Hoje, 48% da população afirma desconfiar do STF, enquanto 45% desconfiam do Congresso, o mesmo percentual registrado para os partidos políticos, e 42% em relação à Presidência da República.

Enquanto a oposição foca no controle do Legislativo para frear o Judiciário ou fazer oposição, legendas e candidaturas de esquerda defendem a necessidade de ampliar a base parlamentar para garantir a governabilidade e a aprovação de pautas prioritárias em um eventual novo mandato do atual governo.

O levantamento do Datafolha ouviu 2.002 eleitores entre os dias 22 e 23 de setembro, abrangendo 125 municípios em todo o território nacional. A margem de erro estimada é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está devidamente registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00304/2026.