O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, incluiu em sua proposta de delação premiada acusações graves sobre o pagamento de propina. Segundo o relato, eram repassados R$ 3 milhões mensais a um grupo supostamente ligado ao senador Jaques Wagner (PT-BA), esquema que teria funcionado até a liquidação da instituição financeira, em 18 de novembro do ano passado.
Esquema de repasses divididos em duas frentes
De acordo com as informações atribuídas a Vorcaro, o montante ilícito era dividido em duas modalidades distintas. A primeira envolvia a quantia de R$ 2 milhões repassada por intermédio de um contrato firmado entre o Banco Master e a PKL One, empresa responsável pela exploração do Credcesta, modalidade de crédito consignado voltada para servidores públicos do estado da Bahia.
A segunda vertente do esquema consistia no repasse de R$ 1 milhão em dinheiro vivo destinado a aliados do parlamentar. A proposta entregue às autoridades também aponta a existência de outras engrenagens financeiras, a exemplo de distribuição de dividendos, repasses de lucros e a utilização de contratos considerados fictícios pelo delator.
A conexão com o Credcesta e o leilão da Ebal
As bases da operação teriam sido pactuadas no ano de 2018, logo após o Banco Master investir R$ 30 milhões para adquirir uma participação societária na PKL One. Essa empresa assumiu a gestão do Credcesta após a NGV Empreendimentos arrematar, por R$ 15 milhões, a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos), estatal que anteriormente controlava os empréstimos consignados na região.
Conforme o documento, a NGV pertencia ao empresário Augusto Lima e posteriormente repassou a operação para a PKL One. O empresário Guilherme Henrique Sodré Martins, conhecido como Guiga, é apontado como operador de Wagner, detendo participações em fundos ligados à estrutura da PKL One antes de os ativos migrarem para a Entre Investimentos, firma de Antônio Carlos Freixo Júnior, apontado pela Polícia Federal como operador financeiro de Vorcaro.
Envolvimento de Rui Costa e rejeição da delação
O material apresentado também cita o ex-governador baiano e atual ministro Rui Costa (PT-BA) em cinco ocasiões, embora sem detalhar um vínculo direto com os subornos. No entanto, o relato aponta que Costa assinou dois decretos apenas 16 dias após o leilão da Ebal, ampliando as margens de exploração do Credcesta e tornando o negócio mais lucrativo. O empresário João Carlos Falbo Mansur, dono do fundo Reag, também é mencionado por supostamente integrar fraudes para gerar o dinheiro em espécie usado nas propinas.
Apesar da repercussão, a proposta de colaboração foi recusada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, que avaliaram as informações como desprovidas de elementos probatórios sólidos. As defesas de Jaques Wagner e Augusto Lima negaram veementemente as acusações, classificando-as como destituídas de provas. Os representantes legais de Daniel Vorcaro repudiaram o vazamento dos anexos e questionaram a autenticidade e a integridade do material divulgado.
















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