Investigações da Polícia Federal baseadas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro revelam tratativas comerciais com indivíduos próximos aos senadores Otto Alencar (PSD-BA) e Jaques Wagner (PT-BA). Os diálogos ocorreram em data anterior à deflagração da Operação Compliance Zero, ocorrida em novembro de 2025 e que resultou na detenção do dono do Banco Master.
Negociações com a filha de Otto Alencar Conforme apurado, Isadora Alencar, filha de Otto Alencar, manteve tratativas com Vorcaro com o objetivo de viabilizar um aporte financeiro na Ecoari, uma startup baiana focada em reciclagem.
O contato inicial aconteceu em setembro de 2024, período em que ela buscou o executivo para debater os desdobramentos da compra da companhia. Embora Isadora tenha declarado à imprensa que o negócio não foi finalizado, registros apontam que a abertura de conta e os repasses financeiros foram concretizados na sequência.
Alertas do Coaf e movimentações financeiras Em meio às tratativas, a B3 emitiu duas notificações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) sobre um montante superior a R$ 9 milhões da Ecoari mantido em custódia no Banco Master. A autarquia apontou incompatibilidade entre o valor e a capacidade patrimonial da startup. Um terceiro alerta, no valor de R$ 2,8 milhões, foi emitido em setembro de 2025.
A defesa da empresária sustentou que os recursos originaram-se de um empréstimo legítimo tomado junto à instituição financeira, ressaltando a legalidade dos procedimentos e a natureza estritamente profissional do diálogo mantido com o banqueiro.
Contatos e obras de arte com o entorno de Jaques Wagner Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores envolve Guilherme Sodré, conhecido como Guiga e apontado como figura de confiança de Jaques Wagner. O intermediário negociou peças de arte de renomados artistas brasileiros com Vorcaro.
Em agosto de 2024, Guiga repassou ao banqueiro o contato telefônico direto de Wagner, após um diálogo entre os dois. A representação legal do senador negou qualquer contato com o executivo na data citada, frisando a inexistência de vínculos com o ex-proprietário do banco ou atuação em prol da instituição. Os demais citados optaram por não emitir declarações.
Contexto político e desdobramentos Jaques Wagner, que deixou o posto de líder do governo no Senado em junho após ser investigado por supostos recebimentos ligados ao banco, argumenta que manteve relações apenas com Augusto Lima, ex-sócio da instituição, tendo encontrado Vorcaro em poucas ocasiões.
















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