As taxas de juros elevadas continuam sendo o maior entrave para o setor industrial brasileiro na busca por financiamentos, conforme revelou um levantamento divulgado nesta sexta-feira (9).
Principais barreiras para o financiamento industrial
Entre as companhias que enfrentaram dificuldades para conseguir recursos de curto e médio prazo, 76% destacaram os juros altos como o principal problema. Nas linhas de longo prazo, com vencimento superior a cinco anos, o percentual de menções chegou a 69%.
A pesquisa “Sondagem Especial 107 – Condições de Acesso ao Crédito em 2026” ouviu 1.701 empresas de pequeno, médio e grande porte em todo o país entre os dias 3 e 12 de agosto, avaliando o cenário entre fevereiro e julho. Apesar de liderarem o ranking, as taxas registraram recuo em relação ao ano anterior, quando eram apontadas por 80% das empresas no curto prazo e 71% no longo. Especialistas explicam que a queda na taxa básica demora a se refletir no custo final repassado às companhias.
Outros obstáculos no mercado de crédito
Além do custo do dinheiro, as exigências de garantias reais aparecem como a segunda maior dificuldade nas operações de curto e médio prazo, afetando 33,4% das empresas. Já no crédito de longo prazo, esse fator foi citado por 31,5% dos entrevistados, enquanto 18,9% reclamaram de prazos de carência insuficientes. A burocracia também foi lembrada por 13,6% dos empresários nas linhas menores.
O estudo mostrou ainda que quase metade das indústrias (49,9%) sequer tentou contratar crédito de curto ou médio prazo no período. Entre as que buscaram, a taxa de frustração subiu para 24,7%. No crédito de longo prazo, 54% não procuraram financiamento e a taxa de insucesso atingiu 37,2%, sendo as pequenas e médias empresas as mais prejudicadas.
Destino dos recursos e soluções apontadas
Um dado que chama a atenção é o uso de financiamentos de longo prazo para cobrir despesas cotidianas. Entre as empresas que buscaram esse tipo de operação, 28,7% apontaram o capital de giro como finalidade principal, superando investimentos em máquinas e equipamentos (23,6%).
Para solucionar esses gargalos, 38,4% dos empresários defendem a redução de encargos tributários e administrativos como a melhor forma de destravar o crédito. Outras soluções sugeridas incluem a expansão de linhas públicas de financiamento e a simplificação dos processos exigidos pelos bancos.
















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