O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, afirmou em nova proposta de delação premiada ter negociado repasses que chegam a R$ 30 milhões para financiar um documentário sobre Luiz Inácio Lula da Silva produzido no exterior, além de doações ao Instituto Lula. O objetivo do suposto esquema seria garantir acesso a recursos de fundos de pensão de estatais.
Esquema envolvia cúpula do governo e PT De acordo com os materiais e áudios divulgados pela imprensa, a articulação contou com a participação do ex-tesoureiro do partido João Vaccari Neto e de figuras de destaque da administração federal, como o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que na época liderava a Secretaria de Relações Institucionais. O plano previa que o banco liberasse investimentos para fundos de previdência de servidores em troca de uma comissão de 10% sobre o montante captado junto às entidades federais.
As conversas apontam que o projeto cinematográfico em questão seria a obra dirigida por Oliver Stone. O banqueiro sustentou que os pagamentos destinados a essa produção ocorreram de maneira informal e superaram valores investidos em outros projetos audiovisuais de cunho político.
Articulação para liberar recursos públicos O planejamento para captar verbas da Previ, Petros e Postalis avançou com a ajuda de intermediários e do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia, que facilitou o contato com Olavo Noleto, ex-secretário-executivo da pasta de Padilha. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram cobranças frequentes sobre o andamento dos negócios e a exigência de comissões para destravar as operações financeiras.
Em abril de 2024, a instituição financeira foi integrada à lista de entidades autorizadas a movimentar recursos previdenciários públicos. Logo após a inclusão, intermediários cobraram somas em dinheiro vivo do empresário para consolidar as transações, embora o avanço das operações tenha sofrido forte retração meses depois devido a polêmicas envolvendo a venda de títulos à Caixa Econômica Federal.
Repercussão e investigações em andamento Apesar de reuniões e articulações que chegaram a incluir encontros no Palácio do Planalto, as tratativas perderam fôlego ao longo de 2025. Diante da falta de resultados práticos nas captações, Vorcaro cobrou os operadores envolvidos e ameaçou romper a parceria.
A Procuradoria-Geral da República rejeitou inicialmente a proposta de colaboração por considerar insuficientes as provas apresentadas sobre os pagamentos em espécie. Atualmente detido em Brasília no âmbito de apurações sobre fraudes financeiras bilionárias no Banco Master, o ex-executivo busca viabilizar uma nova tentativa de acordo com a justiça, enquanto as defesas dos políticos citados negam veementemente qualquer envolvimento com as irregularidades apontadas.
















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