Inadimplência das famílias bate recorde histórico no BC

Inadimplência das famílias chega a recorde de 8%

O índice de inadimplência das famílias no crédito livre atingiu 8% em agosto, alcançando o patamar mais elevado desde o início da série histórica do Banco Central, em março de 2011. Os dados oficiais foram divulgados nesta terça-feira (29) e consideram transações com atrasos superiores a 90 dias.

Aumento no crédito livre

Na comparação com o mês anterior, quando registrou 7,8%, o indicador avançou 0,2 ponto porcentual. Já em relação ao mesmo período do ano passado, o salto foi de 1 ponto porcentual. Esse segmento engloba modalidades negociadas diretamente entre as instituições financeiras e os consumidores, a exemplo do cartão de crédito e do crédito pessoal.

Junto com os atrasos, a taxa média de juros aplicada às famílias também apresentou alta, saltando de 60,3% ao ano em julho para 61,7% em agosto.

Panorama do sistema financeiro

Analisando todas as modalidades disponíveis no sistema financeiro, a taxa geral de calote subiu de 4,9% no mês anterior para 5% em agosto. Especificamente entre as pessoas físicas, o percentual fechou em 6%, representando um acréscimo de 0,2 ponto porcentual. Por outro lado, o índice de inadimplência das empresas manteve-se estável em 3,3%.

O volume total de crédito para famílias continuou em expansão, atingindo a marca de R$ 4,7 trilhões. O montante representa um crescimento de 0,8% em base mensal e de 10,5% acumulado em 12 meses. O avanço foi impulsionado sobretudo pelos financiamentos de veículos, empréstimos consignados do setor privado e operações de cartão de crédito rotativo.

Comprometimento da renda

As estatísticas mais recentes sobre o peso dos débitos no orçamento familiar, referentes a julho, mostram que o endividamento totalizou 49,9% da renda disponível em 12 meses, alta de 0,2 ponto porcentual ante junho. A fatia da renda mensal dedicada à quitação de compromissos financeiros manteve-se em 28,7%.

Na última sexta-feira (25), o governo implementou uma nova fase do programa Desenrola Brasil voltada à renegociação de débitos pendentes. Como o anúncio aconteceu após o intervalo analisado pelo Banco Central, os números divulgados nesta terça-feira ainda não refletem os possíveis impactos da iniciativa.