Filme sobre Bolsonaro pode ter recebido dinheiro do crime, diz ministro

Dark Horse: empresa ligada ao filme recebeu dinheiro do crime organizado, afirma ministro

Recursos financeiros utilizados na produção da obra cinematográfica Dark Horse, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, podem ter ligação com o crime organizado, conforme apontou o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Investigação sobre fundos e máfia dos combustíveis

A declaração foi feita após os desdobramentos da terceira etapa da Operação Carbono Oculto, que examina vínculos entre o esquema da máfia dos combustíveis, transações do Banco Master e operações envolvendo precatórios.

De acordo com o titular da pasta econômica, indícios apontam que o capital responsável por dar liquidez às produções tem origem em uma mesma fonte financeira. A concentração de valores no mesmo fundo dificulta a separação exata entre o dinheiro legal e aportes vinculados a organizações criminosas.

Empresa intermediária e alvos da operação

As apurações apontam que a companhia Entre Investimentos atuou como intermediária nos pagamentos direcionados ao longa-metragem. A firma recebeu tanto montantes ligados ao grupo Master quanto verbas sob suspeita de ilicitudes.

Entre os principais investigados e alvos de mandados de busca estão o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e dono da Entre Investimentos, além de ex-executivos e figuras ligadas ao setor financeiro.

A organização fazia parte do grupo Entrepay, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central no primeiro trimestre deste ano devido a graves irregularidades e riscos aos credores.

Movimentação bilionária e lavagem de dinheiro

Dados levantados pela Receita Federal apontam uma movimentação financeira de R$ 11,6 bilhões em estruturas ligadas às investigações. Os valores transitaram por diversas camadas de fundos e empresas para dificultar o rastreio.

O esquema, investigado por uma força-tarefa coordenada pelo Ministério Público de São Paulo, utiliza fintechs e firmas de fachada para ocultar patrimônio e viabilizar a compra de ativos no setor de combustíveis.

Por fim, o governo destacou que novas tecnologias baseadas em inteligência artificial devem ser aplicadas pela Receita Federal para rastrear e coibir operações ilícitas com maior rapidez no país.