Lula rebate polêmica e diz que seu único amigo é o povo

‘Amigo do presidente é o povo, não Vorcaro’, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira, 24, que “quem é amigo do presidente é o povo”, distanciando-se de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A afirmação foi feita durante vistoria nas obras da Rodovia BR-116, em Nova Iguaçu, na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Mensagem apreendida pela Polícia Federal

A declaração presidencial surge na esteira da repercussão de uma mensagem encontrada pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro. O texto, atribuído ao advogado Walfrido Warde — que na época defendia Vorcaro —, foi enviado em 22 de janeiro de 2025 e sugeria um contato próximo entre o chefe do Executivo e o empresário.

Segundo o conteúdo divulgado, o defensor teria afirmado ao banqueiro que conversou com Lula, momento em que o mandatário teria agradecido o recebimento de uma garrafa de uísque e enviado um abraço. A mensagem ainda indicava que o político havia questionado se o dono da instituição financeira estava mais tranquilo.

Reunião sob holofotes no Planalto

O contato citado na mensagem ocorreu 47 dias depois de uma reunião secreta realizada no Palácio do Planalto em 4 de dezembro de 2024. O encontro, que ficou de fora da agenda oficial da Presidência, reuniu Lula, Vorcaro, o ex-ministro Guido Mantega, o ministro Rui Costa e Gabriel Galípolo, então diretor do Banco Central.

Naquela ocasião, o banqueiro levou reclamações sobre a concentração do mercado financeiro brasileiro e a atuação dos grandes bancos. A resposta do governo foi de que o tema seria avaliado pela autoridade monetária.

Posicionamento oficial da Presidência

Em nota oficial emitida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom), o governo federal negou veementemente qualquer proximidade ou troca de mimos. A pasta assegurou que o presidente se reuniu com o empresário em apenas uma oportunidade e que nunca recebeu presentes, enviou recados ou teve ciência de articulações em seu nome.

O caso segue gerando debates nos bastidores da política nacional, motivando reações da oposição e questionamentos sobre os limites das relações entre o alto escalão governamental e figuras do setor financeiro privado.