Ex-agente aponta suposta interferência da CIA em favor de Flávio Bolsonaro

CIA estaria por trás de operação para favorecer Flávio Bolsonaro, diz ex-agente da agência

Uma declaração de um ex-integrante da inteligência norte-americana colocou o pleito brasileiro no centro de especulações internacionais sobre supostas interferências externas nos rumos políticos do país.

A suposta estratégia de influência nos bastidores

Durante a transmissão de seu podcast nesta terça-feira (6), o ex-oficial John Kiriakou revelou ter obtido informações de um antigo colega sobre uma suposta operação da agência de inteligência dos Estados Unidos voltada para impulsionar a imagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) na disputa eleitoral.

O plano clandestino envolveria a difusão de narrativas positivas sobre o político tanto em veículos de comunicação nacionais quanto em redes de notícias estrangeiras. Apesar de expor o boato, Kiriakou admitiu publicamente que não dispõe de evidências materiais para validar o relato e ponderou que desconhece a veracidade dos fatos.

O comentarista baseou sua suspeita no histórico de interferências da inteligência americana em pleitos de outras nações e recordou o respaldo público já manifestado pelo presidente norte-americano Donald Trump à candidatura do parlamentar brasileiro.

Conexões políticas e encontros anteriores

Nos dias antecedentes à revelação, o próprio Kiriakou utilizou suas plataformas digitais para relembrar um encontro que manteve com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) há três anos, intermediado por um assessor presidencial com o intuito de debater medidas de transparência governamental e o índice de violência policial registrado na gestão de Jair Bolsonaro.

O histórico do ex-agente e sua passagem pela agência

A trajetória de John Kiriakou é marcada por controvérsias com o governo dos Estados Unidos. Ele integrou os quadros da agência entre 1990 e 2004, alcançando notoriedade pública em 2007 ao denunciar publicamente, em entrevista televisiva, o uso do waterboarding — técnica de simulação de afogamento — contra prisioneiros na base de Guantánamo.

Anos mais tarde, em 2013, o analista firmou acordo judicial perante a justiça federal norte-americana após admitir culpa por vazar a identidade de um agente secreto a um jornalista, infração que resultou em uma condenação de 30 meses de reclusão em regime fechado.