O ex-prefeito carioca Eduardo Paes (PSD) abriu mão da fração que lhe cabia na herança deixada por seu pai, Valmar Paes, em novembro de 2021. No momento da renúncia, o político já lidava com uma ordem de indisponibilidade de seus bens determinada pelo Poder Judiciário.
Repasse patrimonial para familiares
A parcela que seria destinada a Paes equivalia a aproximadamente 16,6% do espólio do advogado, falecido em junho de 2021 em decorrência de complicações da Covid-19. Com a decisão, os ativos foram direcionados integralmente à mãe e aos irmãos do ex-chefe do executivo municipal.
Posteriormente, em dezembro de 2023, esses familiares repassaram cinco propriedades imobiliárias — avaliadas em R$ 7,1 milhões — para os filhos do político, Bernardo e Isabela. Na mesma data, a avó dos jovens ainda cedeu outro apartamento, estimado em R$ 6,4 milhões, totalizando um montante de R$ 13,5 milhões em bens imobiliários transferidos.
Origem do bloqueio judicial
A abdicação da herança ocorreu durante a vigência de uma determinação do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, emitida em outubro de 2020. A medida visava assegurar o possível ressarcimiento de cerca de R$ 240 milhões aos cofres públicos, no âmbito de uma ação civil pública que investiga a licitação de linhas de ônibus ocorrida em 2010, no primeiro mandato de Paes.
Embora a indisponibilidade tenha sido derrubada pela corte fluminense em outubro de 2022, o político segue figurando como réu no processo. Juristas apontam que a movimentação patrimonial pode ser interpretada como estratégia de blindagem de bens, passível de revisão caso ocorra uma condenação futura.
Em sua defesa, Eduardo Paes argumentou que a operação atendeu a um desejo expresso do pai, que desejava direcionar diretamente aos netos a parcela que caberia ao filho. Além disso, o candidato ao governo estadual negou ter enriquecido durante sua vida pública e sustentou que seu padrão de despesas sempre esteve alinhado aos seus ganhos declarados.
















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