Banco Central corta Selic para 13,75% ao ano pela 5ª vez

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano. A decisão, tomada por unanimidade, marca o quinto corte consecutivo nos juros básicos da economia brasileira, confirmando as expectativas do mercado financeiro. A medida foi adotada mesmo diante de cenários desafiadores, como as tensões geopolíticas decorrentes da guerra no Oriente Médio e os impactos do fenômeno climático El Niño.

Cenário internacional e desafios externos

No comunicado oficial, a autoridade monetária destacou que o ambiente externo segue cercado de incertezas. A indefinição em torno dos conflitos armados e as dúvidas sobre os rumos da política monetária em nações desenvolvidas exigem cautela dos países emergentes. Esse panorama gera maior volatilidade nos preços de ativos e de commodities globalmente.

Internamente, o Copom operou com desfalques devido ao término dos mandatos de dois diretores no fim de 2025: Renato Gomes, responsável pela Organização do Sistema Financeiro, e Diego Guillen, de Política Econômica. Até o momento, o Poder Executivo ainda não enviou os nomes dos substitutos para avaliação do Congresso Nacional.

Comportamento da inflação e o impacto do IPCA

O principal objetivo da taxa básica é manter sob controle a inflação oficial, medida pelo IPCA. Em agosto, o índice registrou variação negativa de 0,32%, o menor patamar em quatro anos, impulsionado pelo bônus de Itaipu nas faturas de energia elétrica. Com isso, o acumulado em 12 meses recuou de 4,44% em julho para 4,22%.

Os preços dos alimentos também colaboraram para o recuo inflacionário em agosto, apresentando retração de 0,34%. No entanto, os efeitos do El Niño tendem a encarecer os mantimentos nos próximos meses, impondo novos obstáculos para a gestão da política monetária.

Regras da meta contínua e projeções econômicas

Desde janeiro de 2025, vigora o sistema de meta contínua de inflação definido pelo Conselho Monetário Nacional. A meta central é de 3%, permitindo uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, estabelecendo o piso em 1,5% e o teto em 4,5%. Nesse modelo, a apuração ocorre mensalmente com base no acumulado de 12 meses, deixando de se concentrar apenas no fechamento de dezembro.

O boletim Focus aponta que o mercado financeiro projeta uma inflação oficial de 4,9% para o encerramento do ano, superando o teto tolerável. Antes do agravamento do conflito no Oriente Médio, as estimativas estavam em 3,95%. Em relação à atividade econômica, o Banco Central elevou a projeção de crescimento do PIB para 2026 para 2%, enquanto as instituições financeiras consultadas no relatório semanal estimam uma alta de 1,89%.

Reflexos no crédito e no consumo

A redução da taxa Selic tem como efeito direto o barateamento do crédito, o que estimula a produção e o consumo interno, embora dificulte o combate à inflação. A autoridade monetária só avança na diminuição dos juros quando avalia que os preços estão devidamente contidos. O instrumento serve de referência para as demais taxas do mercado e baliza as negociações de títulos públicos federais.