Morre Zuenir Ventura, ícone do jornalismo brasileiro, aos 95 anos

Morre Zuenir Ventura, referência do jornalismo e autor de obras marcantes, aos 95 anos

O renomado jornalista e escritor Zuenir Ventura faleceu nesta terça-feira (22), aos 95 anos, em sua residência no Rio de Janeiro. A confirmação da morte foi feita pelos familiares do autor, que deixou um legado inestimável para a imprensa e a literatura do país ao longo de mais de seis décadas de atuação.

Origens e formação acadêmica

Nascido em Além Paraíba (MG) no dia 1º de junho de 1931, Zuenir teve uma infância humilde e trabalhou como contínuo, arquivista, professor e pintor de paredes. Formou-se em Letras Neolatinas pela antiga Faculdade Nacional de Filosofia da UFRJ, tendo sido aluno de grandes nomes da cultura nacional, como Manuel Bandeira e Alceu Amoroso Lima.

Sua trajetória nas redações começou na Tribuna da Imprensa, passando posteriormente por veículos de grande expressão como Correio da Manhã, O Cruzeiro, Visão, Veja, IstoÉ, Jornal do Brasil e O Globo. Em 2014, consagrou sua carreira ao ser empossado na Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira 32 na sucessão de Ariano Suassuna.

Obras marcantes e o impacto da ditadura

Detido após a promulgação do AI-5 em dezembro de 1968, o escritor eternizou aquele período turbulento no clássico “1968: O ano que não terminou”, lançado em 1988. A obra, fruto de rigorosa investigação e memórias, virou referência na literatura de não-ficção e inspirou a aclamada minissérie televisiva “Anos rebeldes”.

Sua habilidade ímpar em unir apuração jornalística e sensibilidade literária também se destacou na cobertura do assassinato do líder seringueiro Chico Mendes, no Acre, em 1989. O trabalho rendeu prêmios importantes como o Esso e o Vladimir Herzog, além de resultar no livro “Chico Mendes: crime e castigo”.

Retrato da violência urbana e legado cultural

Em 1994, o autor publicou “Cidade partida”, vencedor do Prêmio Jabuti no ano seguinte. O livro nasceu de uma profunda imersão de meses na comunidade de Vigário Geral após a chacina de 1993, abordando com coragem as complexas vertentes da desigualdade social e do tráfico carioca.

A vasta bibliografia de Zuenir ainda compreende títulos como “Inveja: mal secreto”, “Crônicas de um fim de século”, “Minhas histórias dos outros” e “Sobre o tempo”, este último fruto de diálogos com o escritor Luis Fernando Verissimo.

Em 2026, sua imensa contribuição cultural foi celebrada no documentário “Mestre Zu”, dirigido por Zelito Viana e exibido pela ABL, eternizando a memória de um dos maiores expoentes da reportagem brasileira.