A Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu luz verde para o início dos testes em humanos da Vivaxin, o primeiro imunizante totalmente nacional voltado para o combate à malária.
Parceria científica nacional
O desenvolvimento da fórmula é fruto de uma união estratégica entre o CTVacinas da UFMG, a Universidade de São Paulo e o laboratório Cristália.
A grande inovação da Vivaxin está no seu alvo: ela combate o Plasmodium vivax, uma espécie de parasita que ainda não possui nenhuma vacina disponível no mundo. Atualmente, as recomendações da Organização Mundial da Saúde contemplam apenas imunizantes contra o P. falciparum.
Desafio global e impacto regional
De acordo com o Relatório Mundial da Malária de 2025 da OMS, o P. vivax foi responsável por cerca de 9,9 milhões de casos em 2024 globalmente. Nas Américas, a espécie concentrou 63,1% das ocorrências estimadas no mesmo período.
O pesquisador Ricardo Gazzinelli, coordenador do CTVacinas, destaca o forte impacto socioeconômico da doença. Como o paciente perde a capacidade de trabalhar, o imunizante ajudará a proteger a renda e a rotina das populações vulneráveis.
Como serão os testes clínicos
Nesta primeira fase de avaliação, 48 voluntários saudáveis entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção, receberão a substância ou um placebo. O protocolo exige três doses com intervalos de 28 dias e um monitoramento clínico rigoroso de 360 dias para analisar a segurança e a resposta do sistema de defesa.
A transmissão da patologia ocorre principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, provocando sintomas como febre, calafrios e dores de cabeça.
Riscos e complicações da infecção
Além de prejudicar a rotina familiar, o P. vivax tem a capacidade de ficar latente no fígado, gerando novas crises da doença mesmo sem uma nova picada.
Embora o P. falciparum seja associado aos quadros mais graves, o Plasmodium vivax também pode causar mortes e complicações severas, incluindo anemia profunda, distúrbios respiratórios e ruptura do baço.
Cenário da doença no país
O Ministério da Saúde contabilizou 118 mil casos autóctones da enfermidade no Brasil em 2025, com mais de 99% concentrados na Amazônia, onde a assistência médica enfrenta barreiras logísticas.
O Plano Nacional de Eliminação da Malária estabelece a meta de zerar a transmissão local até 2035. Caso comprove eficácia e segurança, a nova tecnologia nacional poderá se somar às estratégias de controle vetorial, diagnóstico e tratamento.
O avanço científico poderá consolidar o papel do Brasil na erradicação da doença na América Latina e abrir portas para o uso do imunizante em nações asiáticas que sofrem com o mesmo tipo de parasita.
















Leave a Reply