PF nega depoimento de Vorcaro sobre filme de Lula

PF nega ter recebido relato de Vorcaro sobre dinheiro para filme de Lula

A Polícia Federal (PF) declarou nesta sexta-feira, 9, que Daniel Vorcaro nunca prestou depoimento à instituição com o teor divulgado por uma reportagem da revista Veja sobre supostos repasses financeiros para a produção de um documentário focado no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A matéria jornalística foi publicada com base em arquivos de áudio e documentos que a publicação afirma possuir, nos quais o proprietário do Banco Master detalha as supostas transferências.

Esclarecimentos da corporação

O posicionamento oficial da corporação diz respeito estritamente aos registros oficiais e aos depoimentos formalmente colhidos pela instituição. A nota emitida não entra no mérito de avaliar se os áudios e papéis revelados pela imprensa são verdadeiros. Além disso, a autoridade policial enfatizou que nenhuma documentação, anexo ou dado com o conteúdo mencionado na matéria foi protocolado internamente.

Acusações e valores citados

De acordo com as informações divulgadas pela revista, o material conteria relatos de Vorcaro mencionando a circulação de aproximadamente R$ 30 milhões em dinheiro vivo voltados ao custeio de um filme sobre o atual chefe do Executivo, além de repasses direcionados ao Instituto Lula. A publicação aponta que o executivo teria associado tais movimentações a tratativas conduzidas com o ex-tesoureiro petista João Vaccari Neto, com o objetivo de viabilizar negócios junto a fundos de pensão de empresas estatais.

Citados negam envolvimento

O texto veiculado pela imprensa também aponta acusações de exigência de propina equivalentes a 10% sobre as quantias movimentadas, envolvendo os nomes de Alexandre Padilha e Olavo Noleto. A reportagem sustenta que um documento anexo sobre o tema foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR). Em resposta, a PGR declarou que não recebeu nenhum arquivo com esse teor específico.

Questionados pelas acusações, o presidente Lula negou veementemente ter pedido ou aceitado qualquer benefício financeiro, bem como ter dado autorização para que terceiros captassem verbas em seu nome. Tanto Padilha quanto Noleto negaram publicamente qualquer tipo de vínculo com o banqueiro ou o recebimento de valores ilícitos.

Negociação de delação e novos passos

Conforme esclarecido pela PF, as tentativas de acordo de colaboração premiada propostas pela defesa do investigado foram recusadas por falhas no cumprimento das exigências legais previstas. A corporação destacou que os fundamentos da recusa já são de conhecimento dos advogados de Vorcaro, embora o conteúdo detalhado dessas razões não tenha sido tornado público.

A Procuradoria informou, por meio de nota enviada à imprensa, que as conversas envolveram tratativas via defesa técnica e que o investigado acabou não prestando depoimento formal justamente por conta do veto ao acordo. Por fim, a Polícia Federal confirmou o recebimento de uma notícia-crime solicitando diligências imediatas para investigar o teor da publicação jornalística, documento que já foi repassado ao setor técnico para as providências cabíveis.