A Associação Brasileira de Telesserviços enviou um documento oficial à Anatel solicitando uma revisão profunda nos critérios de funcionamento das ferramentas antispam implementadas pelas operadoras de telefonia no país.
Preocupação com bloqueios em massa
Enviada em 8 de setembro, a manifestação da entidade de telemarketing aponta que os mecanismos atuais de filtragem de chamadas geram apreensão no setor corporativo. A principal reclamação gira em torno do uso da Classificação Nacional de Atividades Econômicas como parâmetro automático para interrupções, o que, segundo o segmento, pode prejudicar indústrias inteiras que atuam de forma legalizada.
A ABT defende a abertura de um debate amplo sobre o tema, incluindo a realização de consultas públicas e o envolvimento de diferentes atores do mercado. Além disso, a associação sugere a adoção oficial do protocolo STIR/Shaken para validar a origem das chamadas telefônicas.
Critíticas aos prazos e ativação
Outro ponto sensível levantado pelas empresas de telesserviços diz respeito à ativação automática dos serviços antispam pelas prestadoras e ao prazo estipulado para contestação. O período de dez dias corridos exigido para analisar pedidos de desbloqueio é considerado excessivamente longo para a dinâmica dos negócios legítimos.
A expansão dessas tecnologias no mercado brasileiro tem avançado rapidamente. A Vivo foi a pioneira na introdução do recurso com aval da agência reguladora, enquanto Claro e TIM também passaram a disponibilizar ou testar soluções similares para seus clientes.
Histórico de falhas e exigência de transparência
Antes mesmo da liberação oficial, a Anatel já havia recebido mais de dez processos contestando as ferramentas. Um episódio emblemático envolveu o bloqueio acidental de cerca de 25 mil linhas telefônicas da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, o que comprometeu temporariamente o agendamento de consultas e campanhas de vacinação.
Diante desse cenário, a agência reguladora tem cobrado maior clareza das operadoras quanto aos critérios de filtragem e aos padrões de volume aceitáveis. Enquanto o embate entre as teles e o telemarketing continua, o setor busca garantias de que serviços essenciais e operações lícitas não sejam penalizados pelas barreiras tecnológicas.




















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