STF mantém sigilo sobre Cláudio Castro em investigação do Banco Master

Mendonça libera mais de 50 processos sobre o Master, mas mantém Cláudio Castro sob sigilo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), optou por manter sob sigilo a investigação que envolve o ex-governador fluminense Cláudio Castro (PL) no âmbito do escândalo do Banco Master. A medida foi tomada mesmo após o magistrado cumprir a ordem do presidente da Corte, Edson Fachin, para derrubar o segredo de justiça de mais de 50 processos vinculados ao mesmo caso.

A recusa da segunda busca e apreensão

A porção da investigação que permanece restrita diz respeito à negativa de Mendonça a um pedido da Polícia Federal (PF) para deflagrar uma nova operação de busca contra o político. Os investigadores queriam vasculhar outros endereços ligados a Castro, incluindo uma sala comercial no centro do Rio de Janeiro e um imóvel de veraneio em Petrópolis, sob a suspeita de ocultação de provas.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, avalizou a solicitação da corporação ao relatar movimentações atípicas e transporte suspeito de materiais. Contudo, Mendonça entendeu que faltava “justa causa suficiente”. Para o ministro, as diligências não podem funcionar como uma varredura ampla ou devassa na vida profissional e pessoal do investigado, visto que a primeira operação havia ocorrido há menos de dois meses.

Exceções legais e atrito com a Polícia Federal

A manutenção do sigilo é permitida pelas diretrizes estabelecidas por Fachin caso a preservação seja indispensável para novas diligências. Auxiliares de Mendonça argumentam que a porta permaneceu aberta para a PF caso surjam evidências inéditas e contemporâneas. Em contrapartida, fontes ligadas ao comando da polícia questionam a restrição, alegando que não há nenhuma investigação ativa em andamento neste momento.

O ex-governador é apontado nas apurações como peça-chave para viabilizar um aporte bilionário do Rioprevidência — fundo de pensão dos servidores estaduais — no Banco Master. Os investigadores identificaram proximidade entre Castro e Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira. A defesa nega irregularidades e sustenta que os encontros com o executivo ocorreram estritamente em agendas oficiais e eventos de networking.

Controvérsias internas e mensagens reveladas

O inquérito também gerou divergências dentro da própria Suprema Corte. Um relatório da PF utilizado pelo ministro Alexandre de Moraes apontou discrepâncias na celeridade de decisões de Mendonça em comparativos com outros casos. O magistrado alvo das críticas reagiu, negou qualquer irregularidade em sua conduta e afirmou que setores da polícia foram instrumentalizados para atingi-lo.

Para completar, vazamentos de conversas de WhatsApp obtidas pela corporação mostraram trocas de mensagens entre Castro e Mendonça ocorridas em novembro de 2022, na época em que o político ainda chefiava o executivo estadual. Os diálogos tratavam de um processo envolvendo o ex-governador Sérgio Cabral. Tanto a assessoria de Mendonça quanto a defesa de Castro enfatizaram que o contato teve caráter puramente institucional, sem qualquer laço de amizade pessoal entre ambos.