Ministro do STF favoreceu Cláudio Castro após contratos

Mendonça favoreceu Castro em decisões após seu instituto ganhar contratos no governo do Rio

Decisões proferidas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, coincidiram com a obtenção de contratos públicos por um instituto por ele fundado junto ao governo do Rio de Janeiro, liderado na época por Cláudio Castro.

Contratos sem licitação e investigações

O Instituto Iter, estabelecido em novembro de 2023, assegurou cinco acordos comerciais sem licitação com pastas da administração fluminense, incluindo o Corpo de Bombeiros, a Segurança Pública e a Procuradoria-Geral do Estado. Na esfera judicial, Mendonça ordenou, em outubro de 2024, o arquivamento de duas apurações contra Castro sobre supostas fraudes na Fundação Leão XIII, medida que motivou recurso da Procuradoria-Geral da República.

Atuação no TSE e tribunais superiores

No Tribunal Superior Eleitoral, durante a análise de irregularidades envolvendo a Ceperj e a Uerj no pleito de 2022, o magistrado divergiu do entendimento majoritário ao afastar a inelegibilidade de Castro, argumentando que faltavam provas de seu envolvimento direto. Adicionalmente, o ministro sinalizou apoio prévio à realização de eleições indiretas para definir o sucessor após a renúncia do político.

Mensagens e casos específicos

Outro episódio de destaque ocorreu quando Mendonça barrou mandados de busca em um escritório de advocacia associado a Castro, embora tenha permitido as diligências em outros locais. Registros da Polícia Federal mostram que, em novembro de 2022, o então governador buscou o ministro para discutir a situação de Sérgio Cabral; menos de três semanas depois, Mendonça votou pela liberdade do ex-governador.

Defesa e posicionamento oficial

Em manifestação enviada à imprensa, o ministro declarou que nunca participou da administração ou do setor comercial do Instituto Iter, frisando que não integra mais o quadro societário e que sempre respeitou a Lei Orgânica da Magistratura Nacional. Mendonça também reiterou que todos os seus posicionamentos nos processos ligados a Castro possuem embasamento legal estrito e fundamentação pública nos autos.