Motorola é condenada pelo Conar por propaganda enganosa de RAM

Motorola diz que segue regras de transparência, mas as evidências mostram o contrário

A Motorola sofreu uma derrota unânimente no Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) após ser acusada de veicular informações enganosas sobre a capacidade de memória RAM de seus smartphones no mercado nacional.

Entenda a polêmica da memória RAM

O cerne do processo envolve a prática de divulgar capacidade de até 24 GB de RAM somando a memória física com a RAM virtual, técnica que utiliza parte do armazenamento interno para simular multitarefa. O Conselho de Ética determinou que a fabricante ajuste imediatamente a comunicação dessa especificação técnica.

Apesar de a marca alegar em nota oficial que preza pela transparência com o consumidor e que as mudanças já haviam sido aplicadas em agosto, uma averiguação na loja oficial provou que as páginas continuavam exibindo os dados contestados, sendo modificadas apenas após a repercussão pública do caso.

Posicionamento e reflexo no mercado

Em sua defesa, a fabricante argumentou que o somatório de memórias seria um padrão adotado por concorrentes. De fato, marcas como Xiaomi e Jovi também aplicam a estratégia em seus sites, enquanto concorrentes como Samsung, Apple, Realme e Oppo não utilizam o mesmo formato de divulgação.

Especialistas reforçam que o problema central não reside na tecnologia da RAM virtual em si, que é legítima e traz ganhos de desempenho ao utilizar o espaço de armazenamento como apoio, mas sim na forma confusa como o dado é apresentado ao comprador.

Próximos passos e recursos

Embora o Conar seja um órgão autorregulamentador sem poder de polícia ou jurisdição judicial, suas resoluções possuem forte peso ético e comercial no setor publicitário brasileiro. A diretoria da companhia informou que vai analisar detalhadamente o teor da sentença para decidir se apresentará novos recursos ou se adotará medidas adicionais.