O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou nesta sexta-feira, 9, a abertura de um inquérito na Polícia Federal para apurar graves ameaças de morte e estupro direcionadas à deputada federal eleita Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, filiada ao PT de Minas Gerais.
Escalada de ataques e desativação de redes sociais
A parlamentar decidiu procurar a direção-geral da corporação após registrar um aumento expressivo nas investidas criminosas em seus canais digitais. Em decorrência do assédio, ela optou por desativar sua conta na plataforma X na última quinta-feira, 8, relatando o recebimento de ameaças de morte a cada dois minutos.
Em manifestação divulgada em vídeo no Instagram, a jovem pontuou que o debate político não valida nenhum tipo de intimidação ou violência. A pasta federal também acionou as empresas X e Meta para exigir medidas enérgicas que interrompam os ataques e auxiliem na identificação dos criminosos.
Investigação aponta rede interestadual
Assinado pela secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila Santana de Carvalho, o documento enviado à PF aponta fortes indícios de que existe uma articulação organizada além das fronteiras mineiras. O objetivo dessa rede seria silenciar a atuação da parlamentar por meio de intimidações sistemásticas.
As ocorrências já eram acompanhadas pela Polícia Civil desde o período da campanha eleitoral. Entre os registros, destaca-se um e-mail enviado em 5 de setembro no qual um suposto integrante de um grupo supremacista branco expõe dados particulares e ameaça parentes da política.
Polêmica sobre postagens e defesa da deputada
Paralelamente às ameaças, a deputada eleita enfrentou repercussão negativa após a circulação de publicações antigas. Sua equipe negou a autoria de uma postagem sobre o fechamento de templos religiosos, compartilhada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), classificando o conteúdo como uma montagem falsa que será levada à Justiça Eleitoral.
Por outro lado, a assessoria confirmou a autoria de outras mensagens antigas criticadas por suposta intolerância religiosa, esclarecendo que foram redigidas quando ela tinha 17 anos. A nota reforça que a parlamentar, hoje com 21 anos, é católica praticante, defende o Estado laico, a democracia e a liberdade de culto, além de já ter se retratado publicamente pelas declarações do passado.
O Ministério da Justiça reforça que os crimes cibernéticos de cunho misógino contra mulheres no exercício da política possuem enquadramento para investigação em âmbito federal, buscando responsabilizar os autores das ameaças.
















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