Operação Carbono Oculto mira executivo do Genial e aliado de Vorcaro

Diretor do Genial e empresário ligado a Vorcaro são alvos da Carbono Oculto

Uma nova ofensiva policial deflagrada nesta quinta-feira (24) cumpre dezenas de mandados de busca e apreensão em seis estados, no Distrito Federal e em 11 municípios brasileiros. Batizada de Operação Crédito Oculto, a ação atua como um desdobramento da Operação Carbono Oculto para desarticular um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro associado a fraudes no setor de combustíveis.

Alvos de destaque na investigação Entre os 40 alvos da operação estão figuras de proa do mercado financeiro e empresarial, como Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e proprietário da Entre Investimentos.

Conexões com o setor financeiro e produção cinematográfica A Polícia Federal aponta Freixo Junior como operador financeiro de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro à frente do Banco Master. O empresário firmou recentemente um acordo de delação premiada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). Documentos indicam que a empresa de Mineiro teria servido de canal para repasses de Vorcaro voltados ao financiamento do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Grupo Entre, também na mira das autoridades, teria movimentado US$ 12,33 milhões para o projeto cinematográfico.

Origem das investigações e conexões patrimoniais De acordo com o Ministério Público de São Paulo, a nova fase tem como base provas colhidas na etapa inicial da Carbono Oculto, realizada em 28 de agosto de 2025, incluindo mensagens, áudios, contratos e documentos fiscais.

Esquema de ocultação de bens Os indícios apontam para um plano elaborado com o objetivo de esconder o patrimônio dos empresários Mohamad Hussein Mourad (conhecido como Primo) e Roberto Augusto Leme da Silva (Beto Louco), ambos considerados foragidos da Justiça desde agosto. Entre os bens ocultados estaria a aquisição da distribuidora de combustíveis Terrana, negociada em até R$ 153 milhões.

Uso de estruturas corporativas complexas Para blindar o patrimônio ilícito, o esquema utilizou uma rede composta por nove fundos de investimento e 27 empresas diferentes, dissimulando a verdadeira propriedade de imóveis e de uma usina sucroalcooleira. Os investigadores destacam uma transação de cerca de R$ 370 milhões envolvendo direitos creditórios da usina, concretizada mediante a movimentação de cotas em um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC).

Desdobramentos judiciais As ramificações da investigação já provocaram impactos diretos nas empresas envolvidas. A Terrana, nome comercial da Tobrás Distribuidora de Combustíveis, teve suas atividades paralisadas por determinação da Justiça do Rio de Janeiro no dia 9 de julho. As autoridades continuam o cumprimento das ordens judiciais para a coleta de novas provas e o aprofundamento das investigações sobre a rede de ocultação de capitais.