O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) determinou, por unanimidade, o congelamento de R$ 2,7 bilhões em bens do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e de outros quatro ex-executivos da instituição financeira. A medida cautelar, que atinge o patrimônio dos investigados por um período de doze meses, foi motivada por suspeitas de irregularidades em transações envolvendo o Banco Master.
Esquema financeiro e liquidez artificial
Segundo o relatório apresentado pela conselheira Anilcéia Machado, as operações conjuntas entre a instituição estatal e o banco privado funcionaram como uma engenharia financeira fraudulenta. O Ministério Público apontou que o banco público executou manobras para gerar liquidez artificial em benefício da empresa privada. Os promotores alertaram, ainda, que as negociações ocorreram sem qualquer embasamento técnico, colocando a estrutura financeira sob risco iminente de quebra.
Alertas ignorados e pressão interna
As investigações revelaram que os dirigentes ignoraram deliberadamente os avisos emitidos pelas equipes de risco e conformidade do banco estatal. A relatora do processo destacou evidências de prejuízos ao erário distrital, além de episódios de intimidação contra técnicos e ocultação proposital de informações que deveriam ser repassadas ao Banco Central.
Registros de conversas obtidos durante a apuração expuseram que a diretoria tinha a intenção clara de fornecer socorro financeiro ao banco privado. Em gravações, o executivo Wily da Silva Leão confirmou que a meta era injetar recursos diretamente no caixa da instituição parceira.
Alvos da decisão e próximos passos
Além de Paulo Henrique Costa e Wily da Silva Leão, a indisponibilidade de bens alcança Marcelo Talarico, presidente do Conselho de Administração — apontado por agir para enfraquecer a governança e retardar investigações internas —, além de Robério Cesar Bonfim Mangueira e Dario Oswaldo Garcia Junior.
A decisão unânime do TCDF tem como objetivo principal impedir que os investigados ocultem ou repasse seus patrimônios antes que ocorra o julgamento final do caso. A fiscalização do tribunal foi instaurada após o deputado distrital Gabriel Magno (PT) protocolar uma representação formal questionando a legalidade dos acordos financeiros firmados entre os dois bancos.
















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