A Ordem dos Advogados do Brasil do Distrito Federal (OAB-DF) iniciou um procedimento ético-disciplinar contra os sócios da sociedade Barci & Barci Advogados, firma que integra familiares do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A decisão foi anunciada pelo presidente da seccional, Paulo Maurício Siqueira, durante uma sessão extraordinária realizada na noite de terça-feira (8).
Composição do escritório investigado
O quadro societário da banca de advocacia é formado por Viviane Barci de Moraes, Alexandre Barci de Moraes, Giuliana Barci de Moraes e Ana Cláudia Consani de Moraes, que são, respectivamente, mulher, filho, filha e cunhada do magistrado da Suprema Corte.
Contrato milionário com o Banco Master
A abertura da investigação decorre da repercussão sobre a contratação do escritório pelo Banco Master. O acordo previa o repasse de R$ 131 milhões ao longo de três anos, com início em 2024. Dados indicam que a instituição financeira transferiu cerca de R$ 80 milhões para a banca até 2025, interrompendo os pagamentos após a prisão de Vorcaro em novembro.
Investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça no STF trouxeram a público, na semana passada, mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes, além de indícios de que o ministro teria atuado na edição do contrato.
Posicionamento das partes envolvidas
A OAB-DF informou que o processo tramitará sob o sigilo legal, ressaltando que a medida não representa prejulgamento de culpa e assegura todas as garantias processuais aos investigados. O presidente da entidade acrescentou que denúncias semelhantes fundamentadas em provas também poderão ser apuradas.
Em contrapartida, a defesa do escritório Barci de Moraes divulgou nota de repúdio, lamentando que questões já arquivadas pela PGR sejam resgatadas em um contexto eleitoral na entidade. A banca cobrou retratação pública de Paulo Maurício Braz Siqueira.
Envolvimento de intermediário
Paralelamente, a presidência da OAB-DF determinou a abertura de apuração disciplinar contra o advogado Ciro Soares. Ele é apontado nas investigações como o agente responsável por articular contatos entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, bem como com outras autoridades.


















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