Governo Lula rebate críticas de Trump sobre combate a facções

Governo Lula rebate Trump e nega falhas no combate a facções

O poder Executivo brasileiro manifestou forte oposição nesta quarta-feira, 16, às declarações do presidente norte-americano Donald Trump, que apontou supostas deficiências na repressão às maiores facções criminosas do país.

A acusação dos Estados Unidos

Em um memorando enviado ao Congresso dos Estados Unidos na terça-feira, 15, com foco nas diretrizes antidrogas para 2027, Trump classificou o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras. No texto, o republicano alegou que o território nacional virou um importante hub de exportação de cocaína para o exterior, representando riscos à segurança global. Apesar das duras críticas na narrativa oficial, o país não foi incluído no rol de 23 nações apontadas como principais produtoras ou corredores do narcotráfico internacional.

A defesa e os investimentos do Brasil

Por meio de um comunicado oficial, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) rejeitou veementemente qualquer falha ou omissão estatal contra o crime organizado transnacional. A pasta pontuou que o governo dos EUA ignorou o volume de operações federais executadas recentemente, ações que causaram prejuízos bilionários aos criminosos.

Entre as iniciativas destacadas estão a promulgação da Lei Antifacção em março — focada em punições mais duras para chefes do crime — e o lançamento, em maio, do Programa Brasil contra o Crime Organizado, voltado a sufocar as finanças das quadrilhas, reforçar presídios e combater o tráfico de armas.

Cobrança de reciprocidade internacional

O governo brasileiro também cobrou maior agilidade diplomática de Washington. De acordo com o MJSP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou pessoalmente autoridades norte-americanas, em maio, um plano bilateral para estrangular a lavagem de dinheiro e intensificar a troca de inteligência, proposta que segue sem retorno oficial até o momento.

Para encerrar, o governo federal frisou que as menções negativas figuram apenas no trecho descritivo do relatório dos EUA, sem qualquer enquadramento do país em categorias de sanção formal previstas na legislação estrangeira.