Redata coloca o Brasil no jogo de data centers, mas freia projetos

Redata põe Brasil na disputa, mas não destrava projetos, diz CEO da Scala

A implementação do Redata recolocou o Brasil no radar global de aportes voltados para centros de dados, embora a medida isolada não seja suficiente para destravar a assinatura de novos empreendimentos no território nacional.

Desafios tributários travam novos investimentos

A avaliação é de lideranças do setor, que apontam gargalos tributários pendentes. O principal entrave reside na cobrança do ICMS sobre a importação de maquinário e na necessidade de revisão de diretrizes de comércio exterior que elevaram custos de itens essenciais.

O programa federal serve como porta de entrada para negociações comerciais, mas a viabilidade financeira dos projetos continua dependente de desonerações estaduais e federais. Sem essas salvaguardas, os custos operacionais no país seguem acima dos praticados em mercados concorrentes, como os Estados Unidos.

Oportunidade perdida na inteligência artificial

A estratégia inicial busca repatriar a infraestrutura necessária para processar a demanda interna, que atualmente depende majoritariamente de servidores no exterior. O país acabou ficando de fora da fase inicial de investimentos focada no treinamento de modelos de inteligência artificial.

Apesar disso, o mercado nacional ainda mantém chances reais de capturar a expansão voltada para a fase de inferência, momento em que as ferramentas tecnológicas já estruturadas passam a atender diretamente os usuários finais.

Potencial de longo prazo e mercado externo

As projeções indicam um potencial expressivo para a próxima década, com estimativas de expansão significativa na capacidade energética destinada tanto ao consumo interno quanto à exportação de dados.

Para transformar o país em um polo internacional de processamento, o setor aponta a necessidade de criar zonas específicas com infraestrutura urbana adequada, além de aprimorar a legislação para garantir segurança jurídica e proteção a informações sigilosas de governos estrangeiros.

O avanço regulatório e os ajustes fiscais continuam sendo vistos como passos fundamentais para que o potencial econômico do setor deixe de ser apenas promessa e se converta em realidade concreta para a economia brasileira.