PCC e CV atuam como síndicos, afirma Bruno Paes Manso

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As principais facções criminosas do Brasil, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), operam muito mais como administradores de áreas do que como organizações terroristas. Essa é a avaliação central do jornalista e pesquisador Bruno Paes Manso sobre a dinâmica da criminalidade organizada no país.

A lógica de controle territorial

Segundo o especialista, a atuação desses grupos se assemelha à de síndicos de territórios. Em vez de buscarem a destruição do Estado ou a imposição de dogmas ideológicos — características comuns ao terrorismo tradicional —, essas facções buscam estabelecer ordem, regulem o comércio local e monopolizam a violência em comunidades periféricas.

Diferenças fundamentais

Paes Manso destaca que equiparar facções a terroristas é um equívoco conceitual e estratégico. Enquanto o terrorismo visa o pânico generalizado e ataca alvos aleatórios para chamar atenção política, o crime organizado brasileiro foca no lucro financeiro, na exploração de mercados ilegais e na manutenção de uma aparente estabilidade nas regiões sob seu domínio.

Essa dinâmica empresarial faz com que os grupos negociem constantemente com a realidade local, exercendo um poder de polícia informal e cobrando taxas de proteção, o que reforça a metáfora da gestão condominial.

Impactos na segurança pública

A compreensão dessa estrutura é apontada pelo jornalista como essencial para a formulação de políticas públicas mais eficazes. Tratar o problema apenas sob a ótica do combate ao terrorismo pode gerar respostas desproporcionais e ineficientes, ignorando as raízes socioeconômicas que permitem a consolidação desses poderes paralelos nas periferias brasileiras.