Emendas de Flávio Bolsonaro pagam empresas investigadas

Emendas de Flávio Bolsonaro pagaram empresas investigadas e entidade considerada inexistente

Recursos de emendas parlamentares indicadas pelo senador Flávio Bolsonaro foram direcionados para o pagamento de empresas investigadas pela Polícia Federal por suspeita de fraude em licitações. O levantamento também aponta o repasse para uma entidade considerada inexistente de fato pela Receita Federal e alvo do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.

Repasses para saúde em Mesquita

Em 2024, o parlamentar destinou R$ 3,1 milhões para a saúde básica de Mesquita, município fluminense administrado pelo PL. Desse montante, R$ 666 mil foram quitados em agosto de 2025 com o Instituto de Medicina e Projeto.

Em junho de 2026, a Receita Federal classificou a instituição como inexistente de fato, apontando evidências de constituição para fraudes fiscais. A entidade acumula investigações do TCE-RJ desde 2024 devido a contratos milionários com a prefeitura local para a gestão da saúde pública.

Investigação sobre cartel em coletes balísticos

Outra parcela das verbas indicadas pelo senador bafejou fornecedores de equipamentos de proteção balística para a Polícia Militar fluminense. As companhias Glágio do Brasil e Inbra-Tecnologia receberam somas milionárias em convênios que englobavam recursos parlamentares.

Ambas as empresas foram alvo de buscas durante a Operação Perfídia da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de divisão de contratos públicos e cartel em licitações federais de equipamentos de segurança.

Projetos esportivos e outras controvérsias

A destinação de verbas federais também alcançou iniciativas esportivas, como um repasse de R$ 4 milhões para um projeto ligado ao Vasco da Gama, que entrou na mira da Controladoria-Geral da União. Adicionalmente, recursos foram direcionados a institutos de formação profissional e obras de revitalização em aeroportos municipais.

Em sua defesa, Flávio Bolsonaro declarou por meio de nota que nem ele nem sua equipe realizam a indicação de empresas executoras, cabendo aos beneficiários a responsabilidade pelas contratações. A Prefeitura de Mesquita, por sua vez, informou que rompeu os contratos com o instituto citado, aplicou multas e encaminhou o caso aos órgãos competentes.