Codelco investiga suspeita de dupla contagem de cobre no Chile

Codelco investiga novos indícios de irregularidades no cálculo da produção de cobre no Chile

A Codelco, principal mineradora estatal do Chile, abriu uma investigação interna para apurar indícios de que sua produção de cobre entre 2024 e 2025 pode ter sido contabilizada em dobro.

Impacto nas divisões da mineradora

As supostas falhas indicam que determinado material pode ter sido registrado simultaneamente em mais de uma unidade operacional. Essa prática teria inflado de maneira artificial os volumes divulgados pelas minas Ministro Hales e Salvador, conforme comunicado divulgado pela companhia.

Diante da gravidade da situação, a direção da estatal repassou o caso ao Ministério Público e contratou a empresa Ernst & Young (EY) para mensurar a extensão do problema, calcular eventuais reflexos financeiros e identificar os responsáveis pela duplicação.

O ministro da Economia e Mineração do país, Daniel Mas, reforçou a postura enérgica do governo em relação ao episódio. Em pronunciamento oficial em vídeo, o representante declarou que há tolerância zero para irregularidades e que organizar a gestão é fundamental para assegurar o futuro do setor mineral e o desenvolvimento social chileno.

Desafios e escrutínio no mercado global

A nova apuração intensifica a pressão sobre a confiabilidade dos dados da companhia em um momento extremamente delicado para seus negócios e para o cenário internacional do metal. Nos últimos anos, a estatal enfrentou quedas históricas em seus volumes, atingindo patamares mínimos em mais de duas décadas e perdendo o posto de maior produtora global para a mineradora BHP.

Sob a liderança do ex-presidente Máximo Pacheco, o foco estratégico esteve voltado para a retomada dos patamares anteriores, com a meta de alcançar 1,7 milhão de toneladas até 2030. No entanto, o atual mandatário da estatal, Bernardo Fontaine, optou por abandonar essa diretriz, redirecionando os esforços para a rentabilidade, a produtividade e a maximização de valor das estruturas já existentes.

Auditorias e histórico recente

O escândalo atual difere de outro problema detectado no início do ano relativo ao planejamento produtivo para 2025. Naquela ocasião, uma auditoria revelou que cerca de 27 mil toneladas métricas — equivalentes a 2% da produção própria — foram contabilizadas incorretamente como produto acabado, mesmo exigindo etapas adicionais de processamento. Como consequência, um executivo foi demitido, sanções foram aplicadas a outros colaboradores e os bônus de incentivo vinculados à produção precisaram ser recalculados.

Enquanto a KPMG conduz uma auditoria ampla e independente em todas as unidades da companhia relativas aos anos de 2024 e 2025, a EY atuará de forma específica no caso da suposta dupla contagem. A administração da estatal destacou que os exames definirão os reflexos exatos nos estoques, nos relatórios de desempenho e nos pagamentos de bonificações.

Especialistas do setor apontam que o problema atual difere do erro anterior de registro prematuro. Para Juan Carlos Guajardo, fundador da consultoria Plusmining, a situação coloca em xeque os métodos de conciliação interna entre produção, transferências e estoques. Já Juan Ignacio Guzmán, diretor da GEM, avalia que falhas consecutivas em um período de dois anos extrapolam um mero equívoco operacional para uma empresa desse porte, servindo de alerta para a rigidez e a transparência na condução dos processos minerários.