89% dos brasileiros temem riscos virtuais para menores

Quase 90% dos brasileiros estão preocupados com ameaças a crianças e adolescentes na internet, diz estudo Infinis/Quaest

Uma pesquisa recente revelou que 89% dos brasileiros consideram crianças e adolescentes altamente vulneráveis a crimes e violências no ambiente virtual. O levantamento, fruto de uma colaboração entre o Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) e a Quaest, foi divulgado durante um evento em São Paulo e expõe a dimensão dessa apreensão em todo o território nacional.

Preocupação nacional e regional

O sentimento de urgência em relação à segurança digital é homogêneo em quase todas as regiões do país. O Centro-Oeste lidera o índice de apreensão com 93%, seguido de perto pelo Sudeste com 92%. Os percentuais também são expressivos no Nordeste (88%), no Sul (86%) e no Norte (82%), evidenciando que o problema ultrapassa barreiras geográficas.

Especialistas apontam que a percepção pública está alinhada à realidade. O estudo demonstra que um em cada três brasileiros (33%) conhece pessoalmente algum menor de idade que já foi vítima de constrangimento social ou bullying na internet.

Riscos específicos e assédio online

Além do cyberbullying, o relatório detalha outras ameaças graves enfrentadas pelo público infantojuvenil no cotidiano digital.

Outro dado alarmante aponta que 25% dos entrevistados têm conhecimento de jovens que receberam mensagens com apelo sexual, enquanto 20% relatam casos de convites para encontros presenciais com pessoas desconhecidas. A lista de violações inclui ainda a exposição de dados pessoais para intimidação (18%) e a criação de imagens falsas vexatórias utilizando inteligência artificial (10%).

O papel da família e o controle parental

Diante desse panorama, 96% da população concorda que pais e responsáveis devem supervisionar o que os menores acessam online. Contudo, a pesquisa nota que essa vigilância diminui conforme a idade avança: enquanto 94% das crianças de até 5 anos são monitoradas, o índice desaba para 68% entre os adolescentes de 15 a 17 anos.

Para mitigar os riscos, 56% defendem o bloqueio de material perigoso para menores de 11 anos, 49% apoiam a fiscalização total de conversas e contas, e 46% sugerem a imposição de limites de tempo de tela. Para a faixa etária de 12 a 17 anos, a censura a conteúdos nocivos continua sendo a estratégia favorita (49%), acompanhada de orientações preventivas.

Insegurança nas escolas

O levantamento também avaliou o ambiente físico das instituições de ensino. Para 73% dos participantes, as escolas brasileiras são consideradas pouco ou nada seguras. Dentre os motivos apontados para essa desconfiança, 70% destacam a incidência de violência entre os próprios estudantes.

Para reverter essa vulnerabilidade sistêmica, organizadores da pesquisa enfatizam a necessidade de maior responsabilização das redes sociais e a criação de políticas públicas integradas. A metodologia do levantamento incluiu 2.202 entrevistas presenciais realizadas em 128 cidades, com margem de erro de dois pontos percentuais.