O preconceito e a discriminação direcionados a baianos e nordestinos continuam a se manifestar em diferentes esferas da sociedade brasileira, desde o ambiente corporativo até o cenário político e as redes sociais.
Ataques contra trabalhadores e o meio corporativo
Em 2023, um vereador de Caxias do Sul gerou indignação ao sugerir que empresários contratassem argentinos em vez de trabalhadores “daquela gente lá de cima”, referindo-se a baianos resgatados de condições análogas à escravidão. No mesmo episódio, um dos operários relatou ter ouvido a frase “mata os baianos”.
Anteriormente, em 2018, uma empresa de tecnologia foi condenada pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 300 mil em danos morais coletivos após denúncias de que gestores utilizavam termos como “baiano lerdo” para ofender funcionários.
Manifestações de preconceito no esporte
O futebol também tem sido cenário recorrente de hostilidades. Em 2023, atletas do sub-14 do Bahia sofreram ofensas racistas e xenofóbicas em Minas Gerais, incluindo imitações de macaco. No ano anterior, um funcionário do mesmo clube relatou ter sido chamado de “macumbeiro” e ouvido frases como “volta pra sua rede” e “volta pra Bahia, terra de índio” durante uma partida no Paraná.
Em 2024, um torcedor paranaense utilizou o termo “baianagem” para definir uma falha defensiva. Já em 2025, torcedores baianos foram alvos de gritos como “vão comer acarajé” na Vila Belmiro.
Episódios envolvendo figuras públicas e autoridades
O preconceito cultural atinge até mesmo representantes de órgãos públicos. Um ministro do Superior Tribunal de Justiça ironizou a suposta lentidão dos naturais do estado ao afirmar que uma bola arremessada por um baiano na sexta-feira só cairia no sábado. O episódio foi repudiado pelo governo estadual como xenofobia pura, embora o magistrado tenha negado tal intenção.
Em 2026, um comentarista político chamou a Bahia de “câncer do Brasil” e a capital baiana de “lixo” após o primeiro turno eleitoral, motivando a instauração de um procedimento investigativo pela Polícia Civil. No mesmo ano, uma delegada foi acusada de enviar mensagens associando eleitores nordestinos a analfabetos e pobres.
O impacto das redes sociais e do discurso político
A internet frequentemente amplifica estereótipos depreciativos. Em 2024, uma influenciadora digital chamou moradores locais de preguiçosos ao reclamar de um atendimento, gerando forte reação antes de se desculpar.
Em períodos eleitorais, o tom discriminatório costuma se intensificar. Após o pleito de 2022, uma advogada publicou ofensas generalizadas contra a região. Anos antes, em 2010 e 2018, mensagens nas redes sociais chegaram a sugerir “campos de concentração para baianos” e que nordestinos não seriam considerados pessoas. Declarações de figuras políticas, como piadas sobre carros na Bahia já saírem com o “freio de mão puxado”, também reforçam essa carga pejorativa.
Estereótipos normalizados na mídia e no entretenimento
Expressões diárias muitas vezes perpetuam preconceitos enraizados. Em 2019, um repórter televisivo usou a expressão “domingo de preguiça” ao relatar a previsão do tempo no estado, gerando protestos. Anos depois, em um reality show televisionado em 2026, um participante usou o termo “pangaré baiano”, o que também foi interpretado como manifestação xenofóbica.
Esses episódios demonstram que a hostilidade contra a população baiana persiste em múltiplos contextos, exigindo constante vigilância das autoridades e da sociedade civil.




















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