O Conselho Superior do Ministério Público Federal iniciou nesta sexta-feira (25) a análise de representações contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet, relacionadas às apurações sobre o Banco Master. O relator do processo, Francisco Sanseverino, votou pela rejeição do pedido para designar um subprocurador-geral encarregado de examinar a documentação.
Tramitação inédita no colegiado
Como é o alvo das representações, Gonet ficou de fora da sessão, que passou a ser conduzida pelo vice-presidente do colegiado, Nicolao Dino. Essa avaliação é considerada inédita na história do órgão e fundamenta-se em menções ao chefe da PGR presentes em relatórios produzidos pela Polícia Federal. O Conselho conta atualmente com nove membros.
Antes de entrar no mérito sobre a abertura de uma apuração, Sanseverino também descartou analisar pedido de suspeição ou impedimento de Gonet em pautas do Supremo Tribunal Federal ligadas ao caso. De acordo com o entendimento do relator, cabe preliminarmente ao grupo verificar se há indícios mínimos de autoria e materialidade em supostos crimes atribuídos ao procurador-geral.
Pontos sob escrutínio dos conselheiros
Os integrantes do colegiado avaliam se as menções a Gonet nos documentos policiais justificam o início de investigações ou se o caso deve ser encerrado. O escrutínio abrange três frentes principais: a condução geral das apurações sobre o Banco Master pelo Ministério Público Federal, as ações referentes à prisão preventiva do empresário Daniel Vorcaro e o manejo dos processos em curso.
Os dados que motivaram a análise vieram da quebra de sigilo do celular de Vorcaro. Os registros apontam conversas entre o empresário e o procurador-geral, mediadas pelo advogado Ciro Soares. Entre os episódios listados nos relatórios estão o custeio de despesas de uma viagem a Londres para Pedro Gonet, filho do chefe da PGR, em abril de 2025, além de um registro fotográfico de Vorcaro ao lado de Gonet na capital britânica em 2024.
Contexto das investigações
O material da Polícia Federal também menciona uma suposta interferência de Gonet para que Georges Seigneur desistisse de concorrer à presidência do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais. Outras mensagens de outubro de 2025 mostram Vorcaro solicitando que um intermediário conversasse com autoridades para barrar sanções do Banco Central contra a instituição financeira.
Se a maioria do colegiado optar por instaurar o procedimento, um subprocurador-geral independente será nomeado para tocar o caso. Ao término, o relatório voltará para apreciação do grupo, podendo ser remetido ao Supremo Tribunal Federal caso sejam encontrados indícios de crime.
A defesa de Gonet já declarou que a relação com Vorcaro foi irrelevante e pontual. A Procuradoria-Geral da República também acionou o STF para invalidar o relatório da PF, argumentando que houve excesso de competência por parte do ministro André Mendonça ao ordenar diligências sem provocação prévia do Ministério Público. As apurações gerais sobre o Banco Master envolvem fraudes estimadas em R$ 12 bilhões na cessão de carteiras de crédito.




















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