Investigações conduzidas pela Polícia Federal apontam um possível esquema de peculato, fraude e lavagem de dinheiro envolvendo emendas parlamentares do deputado federal Mario Frias (PL-SP). Cerca de R$ 2 milhões destinados aos projetos sociais “Lutando pela Vida” e “Jovem Empreendedor” teriam sido desviados após repasses ao Instituto Conhecer Brasil (ICB).
Ligação com produtora de filme e empresários
De acordo com os relatórios policiais, parte da verba pública irrigou empresas de ex-assessoras, advogados e aliados do parlamentar. O ICB e a produtora Go Up — responsável pelo longa-metragem “Dark Horse”, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro — mantêm vínculos com a empresária Karina Gama, alvo das apurações e que nega qualquer ilicitude.
Envolvimento de assessoria jurídica e ex-secretários
O inquérito detalha pagamentos a profissionais que prestam serviços ao deputado. A LF&P Consulting, pertencente ao advogado Fábio Lago Meirelles, faturou R$ 80 mil do ICB e outros R$ 69 mil da Complexsys. Outro defensor de Frias, Diego Aguilera Martinez, teve o escritório contratado pelo instituto por R$ 151,4 mil, montante que, segundo sua defesa, refere-se a serviços lícitos prestados.
A apuração também alcança ex-secretários do gabinete. Raphael Augusto Azevedo sofreu buscas, enquanto seu irmão, Kayo Henrique Azevedo, atuou como responsável técnico pelo “Jovem Empreendedor”. Já Paula de Oliveira Lima deixou o cargo em abril de 2024 e, dias depois, abriu a Agência Loop, apresentando uma proposta de R$ 311 mil ao ICB. Rudyge Boldrini, doador de campanha e conselheiro fiscal do instituto, também é investigado por atuar em projeto cuja execução não foi comprovada pela Controladoria-Geral da União (CGU).
Repasses da cota parlamentar e movimentação financeira
A PF examina o uso da cota parlamentar de Frias direcionada à Complexsys, comandada por Andre Feldman. Entre 2024 e 2026, a firma recebeu pelo menos R$ 154 mil diretamente do gabinete. No total, a empresa movimentou mais de R$ 18 milhões em um ano, período que incluiu aportes milionários do ICB. A assessoria da Complexsys refutou as acusações e garantiu que apresentará defesa judicial.
Destino dos recursos ao filme “Dark Horse”
O fluxo do dinheiro alcançou a produtora Go Up. A PF aponta que Frias repassou R$ 645 mil à empresa, quantia avaliada como incompatível com sua renda oficial. A Go Up ainda obteve R$ 750 mil da NTT, companhia cujos proprietários teriam recebido verbas originadas das emendas parlamentares do deputado.
Em sua defesa, Mario Frias tem rechaçado todas as acusações de irregularidades na gestão de seu mandato. O parlamentar classificou a operação de busca e apreensão realizada contra ele em setembro como uma manobra política com objetivos eleitorais.




















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