Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam que o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado do ministro Gilmar Mendes, aconselhou o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a estreitar laços com o magistrado do Supremo Tribunal Federal. As conversas, datadas de abril de 2024, indicavam que a aproximação seria estratégica para o futuro dos negócios.
Ligação com o Banco Master e mensagens reveladas
Nos diálogos recuperados pelos investigadores, Feitosa tratava o proprietário do banco como um grande amigo e se colocava à disposição para funcionar como um elo entre o empresário e o decano da corte. Questionado sobre o episódio, o empresário confirmou apenas ter mantido um contrato de curto prazo com uma empresa do grupo financeiro, sem abrir valores ou datas exatas.
Nas mensagens enviadas em 19 de abril de 2024, o político sugeriu uma relação direta com o ministro, elogiando o caráter da autoridade. Na época da troca de mensagens, Feitosa era formalmente ligado por parentesco a Mendes, vínculo que terminou com o divórcio do magistrado ocorrido no final de 2025.
Disputa bilionária por precatórios no STF
O interesse do banqueiro na interlocução com o tribunal ocorria em meio a um julgamento sensível na Segunda Turma envolvendo precatórios judiciais do setor sucroalcooleiro. O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, cobrando reparações por políticas de preços dos anos 1980 em uma ação multibilionária.
Registros mostram que o banqueiro cobrou agência de sua defesa jurídica após uma manobra regimental que interrompeu a votação presencialmente. A decisão impactava diretamente os interesses do Banco Master no mercado de precatórios, gerando forte mobilização nos bastidores jurídicos e corporativos de Brasília.
Confrontos e desfecho judicial
Nas conversas interceptadas, o dono da instituição financeira demonstrou preocupação com a oposição do advogado-geral da União, Jorge Messias, e mencionou rivais do setor financeiro. O processo sofreu novas paralisações por pedidos de destaque e vista até ser julgado em outubro de 2024, resultando em derrota para a União por placar apertado.




















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