PIB brasileiro cai 0,4% em julho, aponta FGV

Economia recua 0,4% na passagem de junho para julho, estima FGV

A atividade econômica do país registrou uma retração de 0,4% entre junho e julho, de acordo com o levantamento mensal do Monitor do PIB, divulgado nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas.

Segundo mês seguido de queda

Este resultado marca o segundo mês consecutivo de variação negativa para o indicador que mede o Produto Interno Bruto nacional, composto por dados dos setores de serviços, comércio, indústria e agropecuária. Em junho, a economia já havia encolhido 1%.

Para permitir comparações precisas entre diferentes períodos, o estudo utiliza dados com ajuste sazonal, técnica que elimina interferências de calendário e oscilações sazonais habituais.

Indicadores e comparativamente anual

Apesar da retração recente, na comparação com julho de 2025, houve um crescimento de 1,3%. No acumulado dos últimos 12 meses, a variação é positiva em 1,8%, ficando abaixo dos 2,2% registrados no mês anterior. Em valores correntes, o montante acumulado do PIB até o sétimo mês do ano atingiu a marca de R$ 7,853 trilhões.

No que diz respeito ao consumo das famílias, responsável por mais de 60% do indicador global, houve alta de 0,4% no trimestre móvel encerrado em julho, a menor taxa desde outubro de 2025. A FGV prioriza a análise de bases trimestrais por suavizar a volatilidade das variações mensais.

Já a Formação Bruta de Capital Fixo, que representa os investimentos produtivos em máquinas e equipamentos, avançou 1,4% no mesmo trimestre móvel, acumulando quatro altas consecutivas.

Fatores por trás da desaceleração

Segundo a coordenação da pesquisa, o desempenho negativo decorre do enfraquecimento simultâneo dos três grandes pilares econômicos, destacando a queda na agropecuária e a estagnação nos serviços e na indústria.

O cenário externo desfavorável é apontado como um dos vilões, impulsionado pelo encarecimento do petróleo devido ao conflito no Oriente Médio e pelo aumento de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações do Brasil.

No âmbito interno, os principais entraves continuam sendo o endividamento das famílias e a manutenção de taxas de juros elevados.

Termômetros e previsões

O Monitor do PIB funciona como uma prévia importante do desempenho oficial do país, que é divulgado trimestralmente pelo IBGE — cuja próxima divulgação oficial do terceiro trimestre ocorrerá em 2 de dezembro. Outro termômetro relevante é o índice do Banco Central, que apontou baixa de 0,2% em julho frente a junho e prevê alta de 1,5% em 12 meses.

Enquanto isso, o relatório Focus do mercado financeiro aponta uma expectativa de crescimento de 1,89% para o fechamento do ano de 2026.