PF aponta Dias Toffoli como suspeito em fundo de R$ 35 milhões

PF suspeita que Toffoli seja ‘beneficiário final’ de fundo que recebeu R$ 35 milhões de Vorcaro

Um extenso documento elaborado por delegados da Polícia Federal aponta a suspeita de que o ministro Dias Toffoli, integrante do Supremo Tribunal Federal, seja o verdadeiro proprietário de um fundo de investimentos que recebeu repasses milionários.

Investigação sobre o FIP Arleen

O relatório aponta que o FIP Arleen, fundo com participações no resort Tayayá, no Paraná, recebeu a quantia de R$ 35 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Posteriormente, todos os ativos foram direcionados a uma empresa offshore situada nas Ilhas Virgens Britânicas. Os investigadores destacam elementos que indicam o magistrado como o beneficiário real dessa estrutura financeira.

Cobranças e mensagens interceptadas

O material policial detalha diálogos em que o banqueiro demonstra pressa e preocupação com os repasses financeiros direcionados ao empreendimento paranaense. Em conversas com um intermediário, o dono do Banco Master cobrou informações sobre aportes atrasados e exigiu esclarecimentos sobre o paradeiro dos recursos, cuja soma totalizou os R$ 35 milhões citados na apuração.

Análise de voto e precatórios

Outro ponto levantado no documento diz respeito à atuação do ministro em um julgamento envolvendo precatórios de uma usina sucroalcooleiro. A PF registrou uma alteração de voto por parte de Toffoli e sugeriu a necessidade de verificar se houve algum tipo de influência do banqueiro, cujo banco mantinha bilhões em ativos do mesmo setor.

Contexto e sigilo no Supremo

O documento foi enviado ao comando da Corte máxima há cerca de sete meses, mas os ministros optaram por manter o sigilo por considerarem o material juridicamente inconsistente. O caso contrasta com outro relatório da corporação que envolveu o ministro Alexandre de Moraes, cujo conteúdo ganhou maior repercussão pública sob a relatoria do ministro André Mendonça.

As apurações da Polícia Federal também mencionam a proximidade de figuras políticas com o banqueiro investigado, incluindo a atuação de intermediários em eventos privados. No entanto, o próprio relatório policial pontua que a condição de beneficiário final atribuída ao magistrado permanece no plano da hipótese, carecendo de aprofundamento investigativo.