Juristas católicos cobram STF por crise e transparência

Juristas católicos cobram STF por crise institucional e investigações

Um grupo composto por 17 organizações de juristas católicos de diversas regiões do país publicou uma carta aberta direcionada aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No documento, divulgado nesta sexta-feira (11), as entidades externam profunda preocupação com a instalação de uma crise institucional e exigem total transparência nas apurações que miram altas autoridades brasileiras.

Exigência de escrutínio rigoroso no plenário

O manifesto pede que o plenário da Corte realize uma análise rigorosa e serena sobre os procedimentos previstos para julgamento no dia 15 de setembro. De acordo com os signatários, os fatos sob investigação possuem caráter de excepcional gravidade, o que pode abalar severamente a credibilidade da sociedade nas instituições democráticas encarregadas de aplicar a lei.

As organizações sustentam que todas as denúncias precisam ser avaliadas em sessões públicas e presenciais, garantindo máxima publicidade. Para os juristas, é inadmissível o uso de subterfúgios processuais ou retóricos para escapar da prestação de contas à população.

Defesa do devido processo legal e suspeição

Ao mesmo tempo em que cobram rigor, os profissionais do direito enfatizam que a condução dos inquéritos deve respeitar rigorosamente o devido processo legal, a presunção de inocência, o contraditório, a ampla defesa e a licitude das provas obtidas.

O texto também pontua a necessidade do imediato afastamento de figuras diretamente interessadas nos desdobramentos dos processos decisórios, aplicando-se de forma estrita as normas de impedimento e suspeição.

Apelo direto à presidência da Corte

Destinatário de um apelo direto no documento, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, foi instado a guiar o tribunal rumo a respostas firmes e urgentes, rejeitando articulações políticas ou acordos de bastidores considerados obscuros.

Para a União Brasileira de Juristas Católicos (Ubrajuc) e as demais associações estaduais signatárias do documento — representando estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Pernambuco —, a autoridade moral da mais alta corte do país está intrinsecamente ligada à sua transparência, imparcialidade e submissão aos mesmos critérios de fiscalização aplicados aos demais cidadãos e agentes públicos.