Ex-delegado admite erro em investigação do cão Orelha

Cão Orelha: ‘Fomos imaturos’, diz ex-delegado-geral

O ex-delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, admitiu que a corporação teve uma postura imatura ao conduzir as apurações sobre a morte do cão Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis.

Erros na comunicação oficial

Em entrevista recente, o ex-chefe da segurança pública catarinense confessou que a estratégia de comunicação adotada foi falha. Segundo ele, a realização de uma entrevista coletiva naquele momento foi um equívoco e a instituição pecou por não aguardar dados mais sólidos antes de se pronunciar publicamente.

Cobrança milionária do Ministério Público

Diante de supostas irregularidades na condução do inquérito, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) exigiu que o ex-delegado pague uma quantia que pode alcançar R$ 795 mil.

As acusações apontam que o antigo líder da corporação pode ter cometido abuso de autoridade, violado o sigilo funcional e apontado culpados de forma precipitada, especificamente no que diz respeito aos adolescentes investigados.

Investigação baseada em boatos

As suspeitas contra o ex-delegado começaram a ser formalizadas em fevereiro do ano passado, quando a promotoria identificou possíveis desvios de conduta nas declarações públicas dadas fora dos autos processuais. Atualmente exercendo mandato como deputado estadual pelo Partido Liberal (PL) com 48 mil votos, Ulisses preferiu não comentar as acusações em contatos anteriores com a imprensa.

O caso ganhou grande repercussão quando a polícia apontou um menor como autor do crime sem apresentar evidências concretas, resultando na apreensão de pertences pessoais do jovem no aeroporto da capital e em uma onda de exposição negativa e boicotes aos negócios de sua família.

Arquivamento do processo

Frente à fragilidade das evidências, a Justiça catarinense determinou o arquivamento definitivo do caso a pedido do próprio MPSC.

A magistrada responsável destacou que a investigação policial sustentou-se exclusivamente em boatos de WhatsApp e suposições da internet, comprovando que não havia provas consistentes nem da autoria do crime e nem mesmo de que o animal tenha sido vítima de agressões físicas.