EUA restringem vistos na África do Sul por discriminação

EUA restringem vistos de autoridades da África do Sul por “discriminação racial”

O governo dos Estados Unidos implementou novas sanções de visto direcionadas a autoridades da África do Sul acusadas de promoverem políticas de discriminação racial, expropriação de terras sem compensação financeira e de estimularem a hostilidade contra minorias. O anúncio foi formalizado pelo secretário de Estado, Marco Rubio.

Preocupação com minorias e africâneres

De acordo com Rubio, Washington mantém forte apreensão em relação ao cenário vivido pelos africâneres e outros grupos minoritários no território sul-africano. O chefe da diplomacia americana apontou a existência de legislações fundamentadas em questões raciais, riscos de confisco de propriedades rurais e discursos que, na perspectiva norte-americana, fomentam o preconceito.

Mudanças na imigração e refúgio

Essa diretriz intensifica a pressão exercida pela gestão de Donald Trump sobre Pretória. Paralelamente, os Estados Unidos passaram a direcionar atenção especial para a acolhida de sul-africanos brancos na condição de refugiados.

Até o fechamento do mês de junho, cerca de 7.700 africâneres ingressaram em território americano. Em contrapartida, os fluxos de refugiados procedentes de outras regiões globais sofreram cortes expressivos.

Defesa e contraposições do governo sul-africano

Por outro lado, a administração da África do Sul nega veementemente qualquer prática discriminatória direcionada à comunidade branca. O argumento oficial sustenta que os programas de redistribuição de terras são fundamentais para corrigir as profundas distorções sociais herdadas do período do apartheid.

O presidente Cyril Ramaphosa já havia declarado publicamente que as narrativas propagadas por Trump divergem completamente das diretrizes oficiais de sua administração.

Histórico de atritos diplomáticos

O desgaste nas relações bilaterais ganhou força no ano anterior. Na ocasião, durante um encontro na Casa Branca, Trump exibiu a Ramaphosa um material em vídeo rotulado como evidência de perseguição e extermínio de brancos no país africano. Uma apuração conduzida pela emissora CNN, contudo, não identificou nenhum indício que comprovasse a tese de genocídio.