A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, detalhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a natureza da relação com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário ou Mexerica. Segundo os advogados, os dois se conheceram em uma academia em Belo Horizonte muitos anos atrás, mas o vínculo profissional só começou a partir de 2020.
Contratação para segurança
De acordo com os registros apresentados à Justiça, o ex-banqueiro passou a sofrer campanhas de difamação, notícias falsas, ameaças e tentativas de extorsão após assumir o comando do banco e ver seu patrimônio e exposição crescerem. Nesse cenário, há cerca de dois anos, Fabiano Zettel — cunhado e operador financeiro de Vorcaro — teria sugerido a contratação de Mourão.
Os serviços prestados incluíam segurança digital com foco no combate a campanhas difamatórias, proteção física em eventos e atuação perante supostas extorsões. A defesa alega que o apelido Sicário foi dado por Zettel em tom jocoso, já que Mourão se vangloriava de ter contato com policiais. Os advogados ressaltam que Vorcaro negociava diretamente com ele e não mantinha contato com a suposta equipe de agentes de segurança que Mourão dizia coordenar.
Informações privilegiadas e sistemas
A manifestação jurídica aponta que Mourão frequentemente abastecia Vorcaro com dados sigilosos e informações privilegiadas por iniciativa própria, sob a justificativa de obtê-los por meio de sua rede de contatos policiais. Contudo, a própria petição reconhece que as investigações apontam outra origem para esses dados: a invasão de sistemas oficiais.
Essa versão apresentada pela defesa contrasta com diálogos obtidos pela Polícia Federal. Em trocas de mensagens de 2024 e 2025, Mourão mencionou acesso total e ilimitado ao sistema do Ministério Público Federal (MPF), além de enviar relatórios com dezenas de procedimentos relacionados ao CPF de Vorcaro, muitos deles sob sigilo. Nesses chats, o ex-banqueiro pedia acesso integral às informações com comandos como “Quero tudo”.
Apesar das evidências levantadas pelas autoridades policiais sobre o vazamento e consulta a dados sigilosos, os representantes legais de Vorcaro insistem que o cliente nunca contratou serviços para fins ilícitos, limitando-se a demandar proteção contra ataques midiáticos e ameaças virtuais.




















Leave a Reply