O grupo político liderado por Jair Bolsonaro transformou a defesa do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça em uma de suas principais bandeiras estratégicas. Com forte apelo voltado ao eleitorado evangélico, a manifestação convocada pelo candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, para esta segunda-feira na Avenida Paulista, incluirá pautas como o desagravo ao magistrado, além de protestos contra o governo atual e o Judiciário.
Estratégia para recuperar votos evangélicos
A mobilização ocorre em um momento de alerta para o Partido Liberal. Dados divulgados pela pesquisa Quaest em 16 de agosto indicam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou um crescimento de seis pontos percentuais entre os evangélicos, alcançando 50% de aprovação nesse segmento, em comparação aos 44% registrados em junho. O contra-ataque desferido pelo ministro Alexandre de Moraes contra Mendonça — que assumiu a relatoria do caso Master na Corte e possui ligações com a Igreja Presbiteriana — serviu de combustível para que o bolsonarismo iniciasse uma campanha de vitimização do magistrado nas redes sociais.
A narrativa ganhou força espiritual quando o próprio Mendonça publicou um vídeo na quarta-feira (2) agradecendo pelas preces recebidas. “Meus irmãos e minhas irmãs, minha palavra se dirige a vocês essencialmente para agradecer tantas mensagens de oração e de carinho”, declarou. A gravação foi amplamente replicada por figuras de destaque do PL, incluindo nomes concorrentes ao Senado como Carlos Jordy e Bia Kicis.
Apoio de Michelle Bolsonaro e impacto no Sete de Setembro
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também utilizou suas plataformas digitais para manifestar solidariedade ao ministro, relembrando o esforço espiritual feito por intercessores para garantir sua indicação ao STF em 2021, quando ficou conhecido como o nome “terrivelmente evangélico” da gestão anterior. Ela classificou Mendonça como “escolhido e ungido do Senhor” e agradeceu por sua postura firme.
Esse cenário de atrito na mais alta Corte do país foi incorporado pela articulação política do PL para dar mais força ao ato de Sete de Setembro. O senador Carlos Portinho (RJ) destacou que o coro de “Fora Moraes” se somará aos tradicionais pedidos de “Fora Lula”, às críticas à gestão federal e à cobrança por anistia aos envolvidos nos atos de 2022, incluindo o próprio ex-presidente.
Origem do confronto no Supremo Tribunal Federal
A escalada da crise institucional teve início na terça-feira (1), quando Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento continha mensagens trocadas entre o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e Alexandre de Moraes, nas quais o ex-banqueiro questionava se deveria deixar o país por temer uma prisão.
A tensão atingiu o ápice na quinta-feira (3), após Moraes solicitar que Mendonça seja investigado por supostos crimes de responsabilidade, improbidade administrativa e abuso de autoridade. Na ocasião, Moraes também acusou o colega de bancada de parcialidade e de atuar em favor de interesses políticos específicos.
Enquanto a base bolsonarista posiciona Moraes como um adversário político implacável — responsável pelas medidas restritivas contra o ex-presidente —, setores governistas o veem com simpatia, alimentando o temor na campanha petista de que a polarização judicial acabe beneficiando eleitoralmente a oposição nas ruas.
















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