Irregularidades em R$ 97 milhões da previdência de Maceió no Master

Relatório aponta irregularidades em aporte de R$ 97 milhões de previdência de Maceió no Master

Uma auditoria realizada pelo Ministério da Previdência Social revelou falhas graves na aplicação de R$ 97 milhões do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Iprev) no Banco Master. Os recursos foram injetados na instituição financeira entre os anos de 2023 e 2024, durante a gestão municipal de João Henrique Caldas, o JHC.

Detalhes dos aportes e o avanço das investigações

O caso veio a público após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar a quebra de sigilo dos procedimentos relacionados ao banco, sob a relatoria do ministro André Mendonça. Conforme os documentos oficiais, o instituto aportou R$ 80 milhões em 6 de dezembro de 2023 e outros R$ 17 milhões em 13 de maio de 2024, utilizando verbas do Fundo Previdenciário (Fupre) com prazos de vencimento estipulados para 2033 e 2034.

Achados da auditoria e falhas na conformidade

A vistoria técnica, concluída no final de outubro de 2025, apontou que os investimentos violaram frontalmente a Política Anual de Investimentos (PAI) de 2023, que determinava meta zero para ativos de natureza bancária. Além disso, a operação concentrou cerca de 20% de todo o patrimônio do fundo em um único emissor privado, baseando-se em Autorizações de Aplicação e Resgate com justificativas superficiais e sem análises individuais de risco.

Ausência de concorrência e alertas ignorados

Os auditores também identificaram que o credenciamento do Banco Master resumiu-se a uma validação burocrática de peças publicitárias, sem diligências independentes. As transações ocorreram sem uma disputa isonômica entre instituições financeiras, sendo guiadas por propostas diretas do banco e ignorando alertas de alta volatilidade e baixa liquidez emitidos pela agência Fitch.

Posicionamento do Iprev e contestações da Polícia Federal

Em sua defesa, o Iprev alegou respaldo do Conselho Monetário Nacional, aval do Conselho de Administração e consultorias especializadas, além de listar cotações feitas com grandes bancos como Caixa, Banco do Brasil, Itaú e Santander. No entanto, a Polícia Federal considerou as explicações insuficientes, apontando inconsistências em valores de cotações e indícios de direcionamento que fundamentam suspeitas de gestão temerária ou fraudulenta.

Alvos da investigação e próximos passos

A investigação atinge ex-dirigentes do instituto, como o ex-presidente Ronney Reyner Teixeira Mota e o ex-coordenador Gustavo Antonio Rodrigues de Souza, além do atual presidente Guilherme Emmanuel Lanzillotti Alvarenga. Embora citado como autoridade máxima gestora na época, JHC não figura como investigado. Com a deflagração da Operação Compliance 82, o ministro André Mendonça prorrogou o inquérito por mais 60 dias para a análise de mídias e cruzamento de dados com apoio da CGU, Banco Central e CVM.