Debate ao Senado em SP: Embates, críticas ao STF e Lula omitido

Marina e Tebet ‘escondem’ Lula e Haddad em debate; Prado e Salles duelam

O terceiro confronto entre os postulantes ao Senado Federal por São Paulo, realizado na sede da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) na capital paulista, foi marcado por intensas discussões políticas, troca de farpas e estratégias eleitorais calculadas. Promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo na noite desta quarta-feira, 23, o evento reuniu sete concorrentes ao cargo, incluindo nomes de peso do cenário nacional.

Participaram do encontro Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL), Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos). Esta série de debates teve início em 9 de setembro na Band e passou pelo UOL e Folha de S.Paulo em 21 de setembro.

Confronto direto entre Salles e Prado

Como já havia ocorrido nos encontros anteriores, o eixo central das discussões esquentou com o embate entre Ricardo Salles e André do Prado. O candidato do Partido Novo tentou colar a imagem do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) aos escândalos do Centrão, taxando-o de marionete de Valdemar Costa Neto, líder nacional do PL. Salles afirmou que Valdemar controlaria o mandato de Prado caso este saia vitorioso das urnas.

Em defesa, Prado devolveu os ataques lembrando que Salles responde a inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) devido a um esquema de extração ilegal de madeira na Amazônia. O deputado estadual ressaltou seus 32 anos de vida pública e declarou possuir ficha limpa.

Críticas ao STF e à presidência do Senado

A crise envolvendo a Suprema Corte e conexões com o setor financeiro também entrou na pauta. Simone Tebet lamentou que a corrupção comprometa o futuro do país, avaliando que os desvios ocorrem independentemente de matizes ideológicas.

Na mesma linha, Guilherme Derrite criticou o engavetamento de pedidos de impeachment contra magistrados da Corte pelo atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Corroborando a crítica, André do Prado defendeu a renovação na cúpula do Legislativo federal, ressaltando a importância de eleger aliados alinhados ao governador Tarcísio de Freitas e a Flávio Bolsonaro.

Debate sobre segurança pública e programas sociais

A segurança pública paulista foi abordada com propostas de maior integração entre as polícias Civil e Militar. Marina Silva defendeu um combate estruturante ao crime organizado, enquanto Simone Tebet enfatizou a necessidade de inteligência policial para desarticular cúpulas de facções criminosas.

Sobre o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado por Luiz Inácio Lula da Silva, Derrite questionou o timing eleitoral da medida, sugerindo a criação de mecanismos para incentivar a autonomia financeira dos beneficiários. Marina, por sua vez, defendeu a gestão do programa, apontando que centenas de milhares de pessoas já deixaram a assistência no estado e que a inflação justificou o reajuste.

Estratégia eleitoral: Lula e Haddad mantidos à distância

Apesar de defenderem as diretrizes federais, Marina Silva e Simone Tebet adotaram uma postura de cautela ao evitar citar frequentemente o presidente Lula e o candidato ao governo estadual Fernando Haddad (PT). As pesquisas indicam desvantagem de Haddad frente ao atual governador Tarcísio de Freitas. Em contraste, Derrite e Prado exaltaram abertamente a parceria com o governo estadual e o bolsonarismo.

Questionados se cumpririam integralmente o mandato de oito anos caso eleitos, todos os presentes confirmaram o compromisso. Nomes como Salles, Soninha Francine, Tebet, Derrite e Marina reforçaram a intenção de permanecer na Casa legislativa até o fim do período, visando influenciar de forma duradoura as políticas públicas do país.

Panorama da corrida eleitoral em São Paulo

O pleito paulista conta com 15 candidaturas oficializadas para as duas vagas que serão abertas no Senado, substituindo os mandatos de Giordano e Mara Gabrilli a partir de 2027. O cenário concentra a disputa principal em cinco favoritos: Tebet, Marina, Prado, Derrite e Salles. Enquanto as ex-ministras compõem a base governista federal em São Paulo, o bloco conservador se divide entre os aliados de Tarcísio e a ala bolsonarista independente.