O cunhado do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), exerce funções no gabinete do deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), que recentemente entrou na mira de uma investigação da Polícia Federal (PF). José Nagliatti também presta serviços ao Instituto Iter, organização de ensino criada pelo magistrado no ano passado.
Investigação de tráfico de influência
A ligação veio à tona após Cezinha de Madureira se tornar alvo da terceira etapa da Operação Transparência, deflagrada na última segunda-feira (14). A ação policial apura suspeitas de tráfico de influência em cortes superiores. Registros oficiais indicam que Nagliatti integra a equipe do parlamentar desde março de 2023.
Além do cargo político, ele atua em frentes do Instituto Iter, recepcionando convidados e potenciais parceiros comerciais. Em meados de 2025, o Banco de Olhos de Sorocaba apontou Nagliatti como o responsável por articular uma reunião entre dirigentes da entidade e representantes do instituto, ocasião em que foi apresentado como executivo de vendas e que contou com a presença do próprio ministro.
Conexões com o setor bancário e saída da sociedade
O parentesco se dá por meio de Janey Nagliatti de Mendonça, esposa do ministro e irmã de José. Até pouco tempo atrás, ela figurava como gestora do Instituto Iter, mas ambos deixaram o negócio em setembro, sem receber compensação financeira pela saída.
O desligamento ocorreu após a divulgação de que o ministro havia recebido em sua instituição Daniel Vorcaro, então proprietário do Banco Master. Registros telemáticos recuperados pela investigação apontam que o deputado federal atuou diretamente para aproximar o banqueiro do magistrado, organizando o encontro na sede do instituto.
O posicionamento dos citados
Questionado sobre os encontros, o ministro do STF admitiu ter acolhido o empresário, mas alegou que apenas ouviu demandas sobre um processo de precatórios do Banco Master em tramitação na corte, ressaltando que votou de forma contraria aos interesses do executivo.
As apurações da PF indicam que o esquema envolvia promessas de influência em tribunais superiores mediante pagamentos atrelados ao desfecho de ações judiciais, apontando o parlamentar como o responsável pelas tratativas com autoridades. A corporação enfatizou que os magistrados citados não são alvos de investigação e que não há indícios de vantagens indevidas recebidas por membros do Judiciário. A defesa do deputado declarou que todos os esclarecimentos serão prestados no curso legal das investigações.




















Leave a Reply