O rendimento médio mensal das pessoas com deficiência no Brasil alcançou R$ 2.053 em 2022, o que representa uma desvantagem de aproximadamente 30% em comparação aos R$ 2.890 pagos a trabalhadores sem deficiência, conforme apontam os dados do Censo divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Setores econômicos e desigualdade salarial
A disparidade salarial foi identificada em absolutamente todos os setores produtivos investigados pela pesquisa oficial. Além de lidarem com menores salários exercendo as mesmas funções, os profissionais com deficiência estão majoritariamente inseridos em ramos de atividade historicamente marcados por baixas remunerações, tais como a agropecuária, os serviços domésticos e o setor de alojamento e alimentação.
Impacto no orçamento familiar e ocupação
Setores como educação, administração pública, saúde e serviços sociais registraram os melhores patamares de ganho, onde a média salarial para esse público foi de R$ 3.223, equivalente a 77,8% do percebido por quem não tem deficiência. Essa desigualdade impacta diretamente o orçamento doméstico: nas residências com moradores deficientes, os ganhos do trabalho respondem por 55,7% da renda total, enquanto os 44,3% restantes vêm de outras origens. Em contrapartida, nos lares sem pessoas com deficiência, a renda do trabalho responde por 78,4% do total.
O nível de ocupação da população com deficiência em idade ativa fechou o ano de 2022 em 29%, evidenciando que apenas três a cada dez indivíduos estavam inseridos no mercado de trabalho. Para o restante da população, o índice atingiu 55,8%.
Diferenças por tipo de limitação
As estatísticas de emprego oscilam consideravelmente conforme a natureza da restrição. O índice mais baixo de ocupação, de 12,9%, acometeu cidadãos com limitações nas funções mentais. Em seguida aparecem as dificuldades para subir degraus ou caminhar, com 17,2%, e a inabilidade para manusear objetos pequenos, registrando 17,7%. Por outro lado, o maior patamar de ocupação esteve entre quem possui deficiência visual, alcançando 35,9%.
Desigualdade de gênero e raça no mercado
A análise interseccional do Censo destacou discrepâncias profundas fundamentadas em gênero e cor. Entre os homens com deficiência, a taxa de ocupação foi de 36% para pretos e pardos, e de 34,6% para brancos. Já entre as mulheres do mesmo grupo, os índices despencaram para 25,6% e 22,7%, respectivamente.
Esses indicadores revelam um cenário desafiador de inclusão produtiva no país, demonstrando que a barreira salarial e o acesso ao emprego continuam a afetar de maneira desigual os cidadãos com deficiência no território nacional.




















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