Os coordenadores da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) recuperaram o entusiasmo com a disputa presidencial e demonstram forte expectativa de vitória contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno. A virada no humor dos estrategistas veio após a avaliação de levantamentos internos realizados nesta quinta-feira, 15.
Mudança de postura após alerta
A nova onda de confiança contrasta diretamente com o clima de apreensão que dominava o Partido Liberal (PL) no início da semana. Dias antes, a cúpula cobrou uma atuação mais enérgica de prefeitos, deputados, senadores e governadores aliados devido à percepção de desmobilização. A avaliação interna era de que o bom desempenho no primeiro turno havia gerado um perigoso clima de “já ganhou”, esvaziando a militância nas ruas e nas plataformas digitais.
Cenário de empate técnico nas ruas
O otimismo da coligação oposicionista caminha lado a lado com os números das pesquisas públicas mais recentes, que desenham um panorama de acirrada disputa pelo Palácio do Planalto. O levantamento do Datafolha divulgado nesta quinta-feira colocou o senador com 47% das intenções de voto totais, frente a 45% do atual chefe do Executivo. No recorte de votos válidos, o parlamentar registra 51%, enquanto o petista soma 49%, mantendo ambos empatados tecnicamente dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
Na comparação com a rodada anterior do instituto, publicada em 8 de outubro, o candidato do PL oscilou de 49% para 47% no cenário geral, ao passo que o representante do governo manteve estagnados os seus 45%. Entre os votos válidos, a distância que separava os dois concorrentes foi reduzida de quatro para apenas dois pontos.
A pesquisa do Datafolha ouviu 2.520 eleitores distribuídos por 153 cidades brasileiras entre os dias 13 e 14 de outubro. O registro oficial da consulta está protocolado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob a identificação BR-00466/2026.
Frustração na base governista
Do outro lado da disputa, o ambiente na cúpula do Partido dos Trabalhadores é de decepção com os números trazidos pela pesquisa Quaest na quarta-feira, 14. Aliados do governo contavam que o pacote de medidas econômicas e o ativismo digital liderado pelo deputado André Janones (Rede-MG) gerassem um impacto muito mais robusto nas urnas.
Entre as cartadas econômicas lançadas pelo Planalto constam a ampliação do repasse mínimo do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691, a anistia de R$ 12,6 bilhões em débitos de microempreendedores individuais e a promessa de repasses financeiros de até R$ 5 mil voltados a pequenos comércios.
O cálculo do governo era de que a injeção desses recursos surtiria efeito imediato na preferência do eleitorado de menor renda e dos donos de pequenos negócios, o que acabou não se refletindo na intensidade esperada pelos governistas nos indicadores.
Reta final e mobilização na Paulista
Enquanto o bloco petista busca alternativas para acelerar o crescimento de Lula, a coordenação oposicionista foca em manter sua base engajada até o encerramento da votação. Como parte da estratégia para inflamar os eleitores nos dias derradeiros, o senador convocou um ato público na Avenida Paulista marcado para o próximo domingo, 18.

