O anúncio de um reajuste de 15,04% no Bolsa Família provocou forte volatilidade nos ativos brasileiros nesta quinta-feira, 17, fazendo o Ibovespa oscilar bruscamente após o governo confirmar que o benefício mínimo saltará dos atuais R$ 600 para R$ 691 a partir de outubro.
Impacto inicial na bolsa e no dólar
Durante o pregão matutino, a principal referência da bolsa brasileira despencou até 1,2%, atingindo 183.242 pontos com a notícia. Contudo, o cenário mudou no período da tarde, permitindo que o índice recuperasse as perdas e encerrasse a sessão com ganho de 0,31%, aos 186.105 pontos. Simultaneamente, o dólar à vista registrou queda de 0,28%, sendo negociado a R$ 5,137.
Preocupações fiscais e impacto na dívida
A instabilidade nos negócios refletiu o temor do mercado quanto ao impacto fiscal da expansão do programa social. Cálculos oficiais apontam despesas extras de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027, atingindo diretamente 19,3 milhões de lares brasileiros a partir do próximo mês.
Especialistas financeiros alertam que a expansão duradoura dos gastos públicos tende a elevar o prêmio de risco cobrado pelos investidores, pressionando a inflação, as taxas de juros futuros e a estabilidade da dívida pública.
Cenário macroeconômico e juros
Essa reviravolta nos mercados aconteceu logo após o Banco Central cortar a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. No cenário internacional, o Federal Reserve elevou os juros americanos para o patamar entre 3,75% e 4%, diminuindo a diferença entre as taxas internas e externas.
Em sua defesa, a equipe econômica argumenta que o acréscimo serve apenas para repor a inflação oficial medida pelo INPC desde 2023, assegurando que o montante caberá nos limites das atuais normativas fiscais. Com a mudança, o auxílio médio subirá de R$ 675 para R$ 777.
















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