Novas evidências obtidas a partir de mensagens no celular do banqueiro Daniel Vorcaro apontam que o Banco Master efetuou repasses financeiros vultosos para a empresa de um irmão de um alto funcionário do Banco Central (BC). Os repasses ocorreram em 2025, período em que a instituição financeira tentava obter o aval regulatório para concluir sua venda ao Banco de Brasília (BRB).
Repasses sob escrutínio
Documentos internos revelam que, em agosto de 2025, a LR Consultoria — pertencente a Leonardo Eyer Harris, irmão de Ricardo Eyer Harris, chefe de gabinete da Diretoria de Regulação do BC — constava em listas de pagamentos do banco. Aberta em março de 2024 com um capital social de apenas R$ 1 mil, a firma acumulou recebimentos de R$ 720 mil da instituição ao longo daquele ano.
Justificativas dos envolvidos
Questionado sobre os valores, Leonardo argumentou que sua empresa prestou serviços na área de mineração por cerca de meio ano, entre março e setembro de 2025. O empresário sustentou que omitiu o vínculo familiar do contrato com o banco por entender que a prestação de serviços não interferia nas atividades públicas do irmão, embora alegue ter avisado Ricardo de forma preventiva.
De acordo com o servidor do Banco Central, a alta administração da autoridade monetária foi comunicada sobre o acordo comercial. Ricardo também negou qualquer envolvimento, seja direto ou indireto, em processos de tomada de decisão voltados ao Banco Master. Até o momento, a cúpula do órgão regulador optou por não se pronunciar sobre o episódio.
Contexto de crise e liquidação
Os repasses vêm à tona em meio a apurações da Polícia Federal que analisam a proximidade entre executivos do Master e empregados do regulador financeiro. Relatórios indicam que outros dois servidores já são alvos de apuração devido a contatos com Vorcaro e ao recebimento de vantagens, como custeio de viagens.
Enquanto as conversas eram mantidas, o negócio com o BRB aguardava o veredito oficial. No entanto, em setembro de 2025, a operação foi formalmente rejeitada pelo Banco Central, culminando na decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro do mesmo ano.




















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