AMD mira supercomputador de IA de R$ 1 bilhão no Brasil

AMD pretende entrar na lista de fornecedores para supercomputador de IA do Brasil

O ambicioso projeto governamental para a instalação de um supercomputador de inteligência artificial de R$ 1,06 bilhão no Brasil entrou na mira da AMD. A gigante de semicondutores busca posicionar suas tecnologias na disputa por meio de fabricantes parceiras, como Dell, HP e Lenovo, que concorrerão no edital público estruturando clusters equilibrados entre custo e desempenho computacional.

A aposta na virada técnica das CPUs para inteligência artificial

Embora a Nvidia exerça uma liderança esmagadora no segmento de GPUs — com fatia estimada entre 80% e 90% das vendas globais contra cerca de 5% da AMD —, a fornecedora enxerga uma janela estratégica no fornecimento de CPUs. Essa dinâmica se explica pela evolução dos sistemas: a transição de chatbots convencionais para agentes autônomos complexos exige mais poder de processamento em tarefas como execução de linhas de código, integração de APIs e buscas simultâneas na internet.

No treinamento de grandes redes neurais, a estrutura de um data center habitualmente utiliza oito GPUs para cada CPU instalada. Contudo, na etapa de inferência — o processamento contínuo para gerar respostas e executar tarefas —, a demanda tende a se aproximar de uma proporção de 1 para 1. Dominando cerca de 30% do setor global de CPUs (enquanto a Intel mantém 66%), a AMD ressalta a capacidade única de oferecer arquiteturas integradas contemplando ambos os tipos de processadores.

Infraestrutura nacional e autonomia tecnológica

O futuro equipamento ficará alocado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, situado no município de Macaíba, no Rio Grande do Norte. A meta do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação é posicionar a máquina entre as dez mais potentes do mundo voltadas especificamente ao ecossistema de IA.

A previsão é que os trâmites licitatórios sejam concluídos na janela entre novembro deste ano e fevereiro de 2027, viabilizando o funcionamento dos equipamentos até o fim do próximo ano. A estrutura atenderá a comunidade científica, instituições de pesquisa, corporações privadas e órgãos estatais, buscando reduzir a dependência nacional de processamento em nuvens estrangeiras.

Radar sobre investimentos da OpenAI no continente

A presença direta da criadora do ChatGPT em solo brasileiro também movimenta os planos da indústria de hardware. A recente inauguração de operações locais pela desenvolvedora abre margem para a eventual construção de centros de processamento equipados com componentes da fornecedora.

Em âmbito internacional, a AMD e a dona do ChatGPT já alinharam acordos de grande porte para o envio de placas aceleradoras gráficas, em negócio avaliado em até US$ 160 milhões que envolveu opção de participação acionária de até 10%. Na América do Sul, a única infraestrutura de grande escala anunciada até o momento pela criadora do ChatGPT é um complexo avaliado em US$ 25 bilhões sediado na Argentina.