Copom reduz juros para 13,75%, mas evita dar cheque em branco

Copom mantém cautela e evita ‘cheque em branco’ para novos cortes, dizem economistas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto porcentual, levando a Selic a 13,75% ao ano. A decisão, anunciada na noite de quarta-feira, marcou o quinto corte consecutivo no atual ciclo de baixa iniciado em março, atingindo o menor patamar em um ano e meio.

Avaliação do mercado financeiro Analistas ouvidos após a divulgação do comunicado apontam que a autoridade monetária preservou uma postura prudente. Embora tenha deixado a porta aberta para novas reduções nas próximas reuniões, o colegiado evitou conceder qualquer garantia sobre os passos futuros da política monetária.

O economista sênior da Nomad, Vitor Kayo, destacou que a estrutura do texto permaneceu alinhada à da reunião anterior. O diagnóstico externo segue influenciado por incertezas geopolíticas no Oriente Médio e pela condução de juros em economias desenvolvidas, mantendo o balanço de riscos com assimetria altista.

Diagnóstico da economia e inflação Para o conselheiro da Ancord, Pablo Spyer, houve uma mudança perceptível no reconhecimento da desaceleração da atividade econômica, especialmente nos setores cíclicos. A inflação corrente também apresentou melhora, com índices registrando desaceleração e ficando abaixo do teto da meta.

Apesar disso, o Banco Central adotou cautela redobrada devido à desancoragem das expectativas inflacionárias e aos riscos associados ao câmbio, petróleo e fatores climáticos. Na projeção de referência do próprio comitê, a estimativa de inflação para 2026 passou de 5,1% para 5,2%.

Impacto para o setor corporativo e visões divergentes Na avaliação de Eduardo Palomine, da EXM Partners, o combate à inflação segue como prioridade, mas as empresas ainda enfrentam um cenário de custo de capital elevado e crédito restrito. Já o economista-chefe da Genial Investimentos, José Márcio Camargo, pontuou que parte da trégua inflacionária decorre de fatores temporais, como a queda nos preços de alimentos.

Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, reforçou que a ausência de sinalizações rígidas é intencional, permitindo que a instituição preserve flexibilidade diante da volatilidade do período eleitoral. Na mesma linha, Rafael Cardoso, do Daycoval, apontou que o comunicado trouxe apenas ajustes marginais na leitura do cenário doméstico.

Cenário global e perspectivas futuras O CEO da Gravus Capital, Ricardo Trevisan, chamou a atenção para o aperto monetário internacional, com bancos centrais estrangeiros elevando taxas em meio à pressão do petróleo. Para o executivo, cortar juros enquanto o mundo aperta a política monetária estreita o diferencial e exige cautela redobrada do Banco Central brasileiro.

A próxima decisão do Copom ocorrerá nos dias 3 e 4 de novembro, já após o primeiro turno das eleições, marcando a penúltima reunião do ano para a definição da taxa básica de juros.